Padre excomungado rompe o silêncio e expõe lista de religiosos investigados no DF
Françoá Costa questiona decisão de Dom Paulo Cezar Costa e compara sua sanção canônica com casos de violência sexual na Igreja
O padre excomungado Françoá Costa divulgou um vídeo para contestar a sanção canônica aplicada pelo arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cezar Costa. Na gravação, o religioso questiona a validade da decisão e compara sua situação com outros episódios envolvendo sacerdotes da capital federal. A medida disciplinar gerou reações do clérigo, que utiliza os canais de sua congregação para apresentar defesa.
Para fundamentar sua argumentação, o sacerdote alega que a severidade da punição diverge do histórico de medidas adotadas pela instituição no Distrito Federal. Ele sustenta que sua exclusão possui motivação doutrinária e, para ilustrar o ponto, listou cinco clérigos que enfrentaram investigações criminais ou denúncias de violência íntima, mas que teriam recebido tratamentos diferentes da liderança local.
Padre excomungado Françoá Costa cita casos na Arquidiocese de Brasília
O religioso mencionou Delson Zacarias, condenado por violência sexual; José Maria, envolvido em conduta inadequada; os freis Hoslan Guedes e Alex Nuno, investigados por violência íntima; e o bispo Dom Valdir Mamede. Sobre o cenário, declarou: “Pelo que me consta, é a primeira vez que Dom Paulo César expulsa um sacerdote por ser católico. Exatamente. Porque normalmente o cardeal tem que expulsar sacerdotes por casos complicados, escândalos, normalmente contra a moral”.
O clérigo reforçou o posicionamento, reiterando que sanções severas costumam ser direcionadas a desvios graves. “Mas é a primeira vez, pelo que me consta, que Dom Paulo César expulsa um sacerdote por ser católico, que é o meu caso”, completou Françoá. O sacerdote integra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo que mantém divergências com as diretrizes atuais estabelecidas pela liderança central da Igreja.
Vaticano e a comunidade do padre excomungado no DF
A determinação reflete um decreto do Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano, que aplicou a exclusão automática contra a FSSPX. Apesar da sanção, o sacerdote afirmou que seu grupo recebeu a notificação “com muita paz”. Ele defende que, pelo princípio da “jurisdição de suplência”, os sacramentos realizados em sua capela na Ceilândia seguem válidos. A liderança da Igreja em Brasília não emitiu resposta oficial.



