Contradição na educação infantil: 56% dos brasileiros justificam agressões contra os próprios filhos
Levantamento da Quaest sobre violência contra crianças revela que 62% dos adultos não interferem ao presenciar agressões em locais públicos
Um levantamento expõe um contraste nas práticas de educação infantil no Brasil. Segundo pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, 91% da população considera a conversa o método mais adequado para corrigir comportamentos. Contudo, 56% dos entrevistados consideram aceitável o uso de força física quando os menores desobedecem ou passam dos limites, e 49% assumem já ter desferido tapas em seus dependentes.
Os dados detalham outras formas de punição aplicadas no ambiente familiar. O estudo indica que 62% dos responsáveis já gritaram com os menores, enquanto 27% recorreram a objetos para aplicar castigos físicos. O histórico familiar surge como um fator de influência nesses resultados, já que 65% dos adultos consultados relataram ter sofrido agressões na própria infância, indicando uma repetição de padrões comportamentais ao longo das gerações.
Pesquisa Quaest e a violência na educação infantil
A aceitação dessas práticas reflete-se também no espaço público, onde 62% dos cidadãos afirmam que não interviriam ao presenciar agressões contra um menor. O CEO da Quaest, Felipe Nunes, explicou o comportamento dos responsáveis: “Esses adultos brasileiros com mais de 18 anos têm, ao mesmo tempo, o medo de exagerar para mais, mas também o medo de exagerar para menos. Percebo que as pessoas estão reproduzindo o que fizeram com elas porque é isso que elas sabem. Não estão preparadas nem pensaram a respeito. Têm o medo de liberar demais e criar um menino mimado, aí resolvem bater. E tem a outra experiência de simplesmente gritar, xingar, ameaçar e bater, porque é assim que funciona. Os dois extremos estão documentados”.
Apesar dos índices atuais, o estudo registrou uma diminuição na aplicação de castigos em comparação com a edição de 2023. A proporção de pessoas que admitem gritar caiu quatro pontos percentuais, e o uso de objetos para bater reduziu de 38% para 27%. No aspecto legal, o país conta com a Lei Menino Bernardo, que veda a utilização de punições físicas ou tratamentos degradantes na criação de menores, prevendo advertências e encaminhamento para acompanhamento psicológico aos infratores.
Riscos digitais na educação infantil segundo o Infinis
O levantamento também mapeou a percepção dos responsáveis sobre a exposição de crianças e adolescentes ao ambiente virtual. Para 95% dos participantes, a internet representa um espaço de vulnerabilidade para os menores. As estatísticas mostram que 80% dos filhos acessam a rede, com 84% dos pais afirmando realizar algum tipo de supervisão. O perfil de uso varia de acordo com a faixa etária, sendo as plataformas de vídeo o principal destino de 88% das crianças até dez anos, enquanto os aplicativos de mensagens e redes sociais dominam a preferência dos adolescentes.



