Davi Alcolumbre usa manobra com a escala 6×1 para abafar escândalo milionário no Senado
Presidente do Senado tenta desviar foco de investigações da Polícia Federal sobre acordo financeiro envolvendo o Banco Master e Flávio Bolsonaro.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinaliza a intenção de destravar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1. A movimentação nos bastidores ocorre no mesmo período em que o parlamentar enfrenta pressões relacionadas ao caso Master. A estratégia de avançar com a pauta trabalhista, enviando o texto para a Comissão de Constituição e Justiça, teria como objetivo principal desviar o foco das recentes revelações sobre um suposto envolvimento financeiro do senador para barrar investigações no Congresso Nacional.
As articulações ganharam força após a divulgação de que Davi Alcolumbre teria recebido 30 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 155 milhões de reais, do banqueiro Daniel Vorcaro. O montante teria sido depositado em uma conta no exterior por meio de um ex-sócio do empresário. A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada de Vorcaro, que detalhava esses pagamentos, e encaminhou o caso para análise do Supremo Tribunal Federal. Os recursos estariam vinculados ao atendimento de interesses do dono da instituição financeira.
Acordo político entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro
O repasse financeiro explicaria as negociações firmadas com o senador Flávio Bolsonaro para impedir a instalação da CPI do Master, que investigaria o escândalo financeiro. O avanço das apurações sobre o mercado financeiro causou “pânico em Brasília”, motivando uma aliança para proteger o grupo político de ambos. Como parte das tratativas, o Senado aprovou a “toque de caixa” projetos com impacto fiscal estimado em até 215 bilhões de reais, medidas que afetam as contas do governo federal e fornecem material para futuras campanhas eleitorais.
A aliança também envolveu a rejeição de indicações ao Supremo Tribunal Federal e a tentativa de influenciar decisões judiciais futuras, buscando um canal para “dosar” eventuais penas. Para Flávio Bolsonaro, a parceria sustenta uma imagem de político “moderado” perante o mercado financeiro, posicionando-o como “o pacificador” entre diferentes alas políticas. Em contrapartida, o parlamentar fluminense teria garantido apoio para uma eventual reeleição do atual presidente do Senado ao comando da Casa legislativa nos próximos anos.
Pronunciamento de Davi Alcolumbre sobre o caso Master
Em resposta às publicações, o senador divulgou uma nota oficial negando qualquer recebimento de valores e classificando as informações como “falsas”. O texto defende a sua “trajetória pública” e afirma que os relatos ferem a sua “honra” perante a sociedade. O comunicado oficial declara: “O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que…”.



