Fim da festa: publicidade de bets sofre golpe duro do governo com multas milionárias
Ministério da Fazenda proíbe promessas de enriquecimento em apostas online e prevê suspensão para empresas irregulares
O governo federal estabeleceu novas diretrizes rigorosas para a publicidade de bets no Brasil, equiparando os avisos de risco aos utilizados em campanhas de cigarros e bebidas alcoólicas. A medida, anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, entra em vigor com a publicação de uma portaria específica nesta sexta-feira. O objetivo principal da regulamentação é criar um ambiente mais controlado para o mercado de apostas online, exigindo transparência das empresas e protegendo os consumidores de propagandas enganosas.
A partir da nova norma, toda propaganda veiculada pelas plataformas precisará exibir advertências obrigatórias elaboradas pelo Ministério da Fazenda. As mensagens padronizadas devem informar claramente ao público que a prática pode gerar dependência psicológica, resulta em perda financeira e não deve ser encarada como uma modalidade de investimento. Essa exigência busca desconstruir a imagem de dinheiro fácil frequentemente associada ao setor nos últimos anos.
Restrições do Ministério da Fazenda para publicidade de bets em transmissões
As empresas do segmento ficam expressamente proibidas de apresentar os jogos como uma solução para problemas financeiros ou fonte de renda extra. A legislação veda a criação de senso de urgência nas campanhas e o uso de históricos de premiação para incentivar novos cadastros. Além disso, profissionais envolvidos em transmissões esportivas, como narradores e comentaristas, perdem a permissão para recomendar plataformas específicas ou utilizar sua autoridade técnica para estimular o público a realizar palpites durante as partidas.
Uma segunda portaria, desenvolvida em conjunto com o Ministério da Justiça, estabelece um cerco contra as operações que funcionam sem a devida autorização estatal. Veículos de comunicação estão impedidos de comercializar espaços publicitários para marcas ilegais. As corporações que descumprirem as diretrizes estarão sujeitas a sanções severas, que incluem multas equivalentes a até 20% do faturamento da empresa e suspensão das atividades por 180 dias. Em situações de reincidência grave, a plataforma pode sofrer a cassação definitiva de sua licença de funcionamento.
Balanço do governo contra sites de apostas irregulares no Brasil
As ações de fiscalização já resultaram na derrubada de aproximadamente 56 mil endereços eletrônicos de jogos irregulares em todo o território nacional. O monitoramento digital também alcançou as redes sociais, culminando na exclusão de quase mil perfis de influenciadores digitais que promoviam serviços não autorizados. Como reflexo das políticas de controle e conscientização, os dados oficiais indicam que cerca de um milhão de usuários foram direcionados ao sistema de autoexclusão após violarem as restrições legais impostas pelo sistema regulatório.



