Saúde & Bem-estar

Fibras ou proteínas? Descubra qual nutriente no café da manhã elimina mais quilos

Análise com adultos mostra que dieta rica em fibras resultou em maior redução de peso, enquanto proteínas foram mais eficazes na saciedade

Uma investigação científica conduzida pelo Rowett Institute, da Universidade de Aberdeen, e publicada no periódico *British Journal of Nutrition*, analisou qual nutriente consumido na primeira refeição do dia é mais eficiente para o emagrecimento: fibras ou proteínas. Para chegar a uma conclusão, os pesquisadores selecionaram 19 adultos com sobrepeso ou obesidade, com idades variando entre 18 e 75 anos. O experimento utilizou um método randomizado cruzado, no qual cada voluntário experimentou ambas as estratégias nutricionais em momentos distintos, permitindo uma comparação direta dos efeitos metabólicos no mesmo indivíduo.

Durante o período de testes, a alimentação foi integralmente fornecida pela equipe científica para garantir o controle rigoroso da ingestão calórica e evitar desvios. A distribuição de energia foi padronizada para todos os participantes, concentrando 45% das calorias diárias no café da manhã, 35% no almoço e os 20% restantes no jantar. Entre a fase da dieta rica em fibras e a fase focada em proteínas, houve um intervalo de sete dias sem intervenção, conhecido como período de *washout*, desenhado para impedir que os resultados da primeira etapa influenciassem os dados da segunda.

Diferença na balança e controle do apetite

Ao final do monitoramento, os dados revelaram que ambos os protocolos auxiliaram na redução de medidas, porém o grupo que consumiu o café da manhã rico em fibras obteve resultados superiores na balança. A perda média de peso nesse grupo foi de 4,87 kg, comparada a uma redução de 3,87 kg observada durante a dieta rica em proteínas. No entanto, quando o foco da análise se voltou para a sensação de fome relatada pelos voluntários, a proteína demonstrou ser mais eficiente. Conforme relataram os autores no artigo, “O achado reforça o consenso de que a proteína tende a ser o macronutriente mais saciante”, indicando que, embora as fibras tenham acelerado a perda de peso, a proteína foi superior em manter o estômago cheio por mais tempo.

Além das questões relacionadas ao peso e à fome, a pesquisa investigou o impacto das dietas na microbiota intestinal. A ingestão elevada de fibras no café da manhã promoveu um aumento significativo na presença de bactérias benéficas, como *Bifidobacterium*, *Faecalibacterium* e *Roseburia*. Esses microrganismos são conhecidos por estarem associados à produção de butirato, um ácido graxo de cadeia curta fundamental para a saúde do intestino. Esse dado sugere que a escolha dos nutrientes matinais pode ter implicações que vão além da estética, influenciando diretamente a composição da flora intestinal e a saúde digestiva geral.

Restrições metodológicas e conclusões

Apesar dos resultados promissores, os cientistas destacam que o estudo possui limitações que exigem cautela na interpretação dos dados. O número reduzido de participantes e a predominância de homens na amostra dificultam a generalização das descobertas para a população feminina e grupos maiores. Além disso, o fato de todas as refeições terem sido fornecidas cria um cenário ideal que nem sempre reflete a realidade cotidiana, onde a adesão à dieta pode oscilar. Diante disso, os pesquisadores alertam que “Estudos maiores e mais longos ainda são necessários para confirmar qual estratégia se sustenta melhor fora do ambiente controlado da pesquisa”, sugerindo que tanto fibras quanto proteínas têm papéis importantes, mas distintos, no controle do peso corporal.

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