Saúde & Bem-estar

Dentes tortos de novo? Entenda o motivo que pode anular anos de uso de aparelho

Remodelação óssea natural e hábitos diários influenciam a estabilidade do sorriso; saiba qual é o tempo ideal para utilizar os fixadores

Muitos pacientes que passam anos utilizando aparelhos ortodônticos na infância ou adolescência enfrentam a frustração de perceber, na vida adulta, que os dentes voltaram a sair da posição alinhada. Embora a sensação seja de que o tratamento foi perdido, especialistas esclarecem que esse fenômeno decorre de processos fisiológicos naturais. O corpo humano passa por uma remodelação constante ao longo da vida, influenciada pelo crescimento, envelhecimento e alterações no tecido ósseo. Segundo Alexander Cassandri Nishida, cirurgião-dentista e professor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, a movimentação não cessa apenas porque o aparelho foi removido, sendo uma característica intrínseca da anatomia bucal que exige compreensão para o gerenciamento das expectativas dos pacientes.

A explicação técnica para essa instabilidade reside na forma como a dentição está fixada na estrutura óssea. Ao contrário do que se imagina, os dentes não estão colados rigidamente ao osso, mas sim suspensos por um sistema complexo que permite micro-movimentações necessárias para a mastigação e acomodação das forças. O especialista detalha a anatomia envolvida nesse processo: “A raiz fica encaixada em uma cavidade chamada alvéolo e é sustentada por fibras elásticas que funcionam como pequenos amortecedores. É isso que permite que ele se mova”. Durante o tratamento, o aparelho aplica força para gerar uma remodelação óssea, onde o osso é reabsorvido de um lado e formado do outro, mas essa capacidade de adaptação permanece ativa permanentemente.

Estratégias para manutenção dos resultados

Para combater a tendência natural de desalinhamento, a etapa de contenção torna-se obrigatória e decisiva para a longevidade do sorriso. Existem diretrizes clínicas que sugerem o uso dos fixadores pelo dobro do tempo do tratamento ativo, mas a prática atual aponta para uma necessidade mais prolongada, dependendo dos objetivos estéticos do indivíduo. A estabilidade absoluta sem auxílio mecânico é rara, e o paciente deve estar ciente desse compromisso a longo prazo. Sobre a duração ideal do uso desses dispositivos, o ortodontista é categórico: “Se a intenção for preservar o sorriso ao longo da vida, esse também será o período de uso”.

A escolha do tipo de contenção varia conforme a arcada e o perfil do paciente, apresentando desafios específicos de manutenção e higiene. Na parte inferior, onde os dentes possuem raízes mais finas e sofrem maior carga, é comum o uso de um fio fixo colado atrás da dentição. No entanto, essa opção exige cuidados redobrados para evitar problemas gengivais. Nishida alerta para os riscos associados ao acúmulo de placa bacteriana nessa região: “Existe uma certa discussão com outras especialidades, como a periodontia, pois esse tipo de contenção pode levar a uma dificuldade na higienização e aumento da inflamação gengival”. Já na arcada superior, opta-se frequentemente por placas removíveis, que dependem inteiramente da disciplina do usuário para funcionarem corretamente.

Intervenções preventivas e corretivas

Além da manutenção na fase adulta, a prevenção de problemas ortodônticos severos pode começar ainda na infância, observando-se hábitos como o uso de chupeta, respiração bucal e sucção de dedo. Tratamentos interceptativos, indicados entre os 5 e 7 anos, não visam apenas alinhar dentes, mas estimular o crescimento ósseo adequado para acomodar a dentição permanente. Já as abordagens corretivas tradicionais ocorrem geralmente entre os 11 e 13 anos. O acompanhamento profissional regular, independentemente da idade ou do término do tratamento, continua sendo a ferramenta mais eficaz para monitorar a estabilidade e intervir diante de qualquer sinal de recidiva ou desgaste dos aparelhos de contenção.

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