Sintomas do câncer de próstata podem ser silenciosos: saiba quando procurar um médico
Especialistas detalham sinais de alerta, grupos de risco e a necessidade de exames anuais para o diagnóstico precoce da doença
Considerado o tumor de maior incidência entre a população masculina e o segundo mais comum no Brasil, excetuando-se o câncer de pele não melanoma, o câncer de próstata apresenta projeções significativas para este ano. Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) referentes à estimativa de 2026, espera-se que 77.920 homens recebam o diagnóstico da doença até o encerramento do período. O perfil epidemiológico aponta que indivíduos negros e aqueles com idade superior a 60 anos integram o grupo de maior risco, sendo que fatores como obesidade e histórico familiar também possuem correlação direta com o desenvolvimento da patologia.
A enfermidade caracteriza-se, muitas vezes, por uma evolução inicial silenciosa, o que reforça a necessidade de atenção aos sinais corporais. O urologista Fernando Sabino, do Hospital Santa Lúcia, esclarece que as manifestações clínicas podem demorar a surgir. Segundo o especialista, “O câncer costuma ser assintomático no início, porém alguns sintomas urinários podem aparecer, como dificuldade para urinar ou redução do jato de urina”. Além desses indícios, os pacientes devem observar ocorrências como maior frequência de idas ao banheiro, presença de sangue na urina, dores na região pélvica ou difusas e dificuldades relacionadas à ejaculação.
Sintomas em estágios avançados da doença
A ausência de sinais precoces é um desafio para a detecção imediata, conforme pontua o urologista Alexandre Iscaife, do Hospital das Clínicas da USP. O médico destaca que “Mesmos os tumores mais agressivos não dão sintomas iniciais. Eles só vão acontecer quando o tumor já está mais avançado, se ele já saiu para fora da próstata, ou se na própria próstata ele já criou uma obstrução para urinar. Quando há metástase no osso, pode ocorrer dor óssea ou até fraturas patológicas”. Especialistas da área médica reforçam que estigmas sociais, medo e vergonha ainda são barreiras que impedem muitos homens de buscarem auxílio profissional.
Para garantir a identificação da doença em seus estágios iniciais, a realização de exames de rastreio é fundamental. A recomendação médica indica que a avaliação deve ser feita anualmente por homens a partir dos 50 anos. Nos casos em que há histórico familiar de câncer, o início do monitoramento deve ser antecipado para os 45 anos. O processo diagnóstico envolve a dosagem de PSA no sangue, uma glicoproteína presente no líquido seminal, combinada ao exame de toque retal, capaz de detectar crescimentos anormais na glândula.
Classificação de risco e confirmação clínica
A confirmação definitiva da presença do tumor ocorre por meio de biópsia, procedimento que permite classificar a agressividade da doença. Sobre essa categorização, Iscaife elucida: “O câncer de próstata é dividido no diagnóstico em três formas: a forma de baixo risco ou baixo agressividade; risco intermediário ou de agressividade intermediária; e os de alto risco ou muito agressivos. Isso é baseado na biópsia. A vasta maioria, ao redor de 90% dos tumores, são de baixo risco ou risco intermediário”. Embora os casos altamente agressivos sejam minoria, quando diagnosticados tardiamente, podem apresentar metástase, espalhando-se para gânglios, ossos e, em situações mais raras, para órgãos como fígado, pulmão e cérebro.



