Tensão na Câmara: Nikolas Ferreira ataca deputada e faz exigência polêmica sobre armas
Parlamentar criticou a proposta que criminaliza a misoginia e direcionou falas à deputada Erika Hilton no plenário
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou seu tempo na Câmara dos Deputados, na terça-feira (14), para discursar contra o Projeto de Lei 896/2023, que propõe a criminalização da misoginia. No plenário, o parlamentar afirmou que a proteção feminina não deveria depender de políticas de Estado, mas do uso de um “fuzil”. A declaração ocorreu em meio a cobranças de sua base política, gerando repercussão entre os legisladores presentes na sessão.
Ao argumentar sobre segurança, o político ignorou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que indicam que armas em residências elevam os riscos de crime contra mulher. Para demonstrar oposição ao texto relatado por Tabata Amaral (PSB-SP), ele declarou que “misoginia é o caramba” e prometeu barrar a matéria. Ele também citou a primeira-dama Janja e alegou que a legislação poderia punir adolescentes por gírias de internet.
Nikolas Ferreira e as falas sobre Erika Hilton
O pronunciamento incluiu referências à presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Sem citar seu nome na tribuna, o deputado usou a expressão “homem biológico” para se referir a ela. A atitude remete a episódios anteriores no Congresso, como em março de 2023, quando o político usou uma peruca no púlpito para discursar sobre identidade de gênero.
O histórico do parlamentar envolve decisões judiciais anteriores sobre a população LGBTQIA+. Ele enfrentou condenações na Justiça mineira por falas direcionadas a Duda Salabert e à psicóloga Andreone Medrado, além de investigações do Ministério Público. Parlamentares como Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) manifestaram repúdio imediato às palavras proferidas na sessão.
Adiamento do projeto de lei na Câmara dos Deputados
Após os debates no plenário e a pressão de diferentes frentes, a Mesa Diretora tomou uma decisão sobre o andamento da proposta. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que a votação do projeto foi adiada e retornará à pauta apenas após o recesso parlamentar. A postergação mantém o tema em suspenso, enquanto as discussões sobre imunidade parlamentar continuam nos bastidores do Legislativo.



