Política

Brasil busca novo papel global e Lula na Alemanha discursa contra rótulo de terceiro mundo

Durante a Feira de Hannover, presidente destaca o potencial econômico nacional e cobra um novo posicionamento do país no cenário internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (20) que o Brasil busca um reposicionamento internacional. Durante a agenda de Lula na Alemanha, na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover, o chefe do Executivo ressaltou que a nação não aceita mais a posição de subordinação. Ele enfatizou que o território nacional “cansou” de ser “tratado como um país de terceiro mundo” e “em via de desenvolvimento”.

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O evento europeu é a maior feira de tecnologia industrial do planeta e conta com o Brasil como parceiro oficial nesta edição. O objetivo da comitiva é demonstrar o potencial de crescimento e atrair investimentos. Em seu discurso, o presidente foi enfático sobre a mudança de postura. “Nós estamos falando de um país que cansou de ser pequeno. Um país que cansou de ser um país em vias de desenvolvimento. Um país que cansou de ser tratado como um país do terceiro mundo. Um país que cansou de ser tratado como invisível”, disse Lula.

Discurso de Lula na Alemanha durante a Feira de Hannover

Para sustentar a tese de que o Estado brasileiro pode se transformar em uma economia rica, o mandatário citou dados demográficos e a presença de grandes corporações. A intenção é utilizar a vitrine europeia para ampliar parcerias comerciais. “Nós somos uma grande nação, temos 215 milhões de habitantes, temos uma economia razoavelmente estável e conquistamos muita credibilidade nos últimos anos. E é com essa cara que nós viemos aqui a Hannover”, continuou o presidente.

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A infraestrutura industrial e o capital humano foram apontados como pilares para essa nova fase das relações exteriores. O político listou exemplos de sucesso corporativo para ilustrar a força do mercado interno. “Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno. Nós temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo”, afirmou.

Críticas ao enfraquecimento do multilateralismo global

Além das questões econômicas, a viagem presidencial abordou a atual conjuntura geopolítica. O chefe de Estado aproveitou a plataforma para defender o multilateralismo, sistema de cooperação que, segundo sua avaliação, está sendo “destruído” no contexto contemporâneo. O petista alertou que a harmonia e a paz constituídas depois da Segunda Guerra Mundial estão sendo “jogadas fora” devido à falta de diálogo e ao aumento das tensões diplomáticas.

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