Saúde & Bem-estar

Pesquisa associa ingestão noturna de cafeína à redução do autocontrole comportamental

Pesquisadores da Universidade do Texas observaram que o horário da ingestão de cafeína influencia a capacidade de regular decisões e comportamentos.

A ingestão de café durante a noite pode gerar consequências que ultrapassam a conhecida dificuldade para iniciar o sono. Um estudo recente, publicado na revista científica iScience em agosto de 2025, sugere que o consumo de cafeína nesse período específico pode comprometer o autocontrole e estimular comportamentos impulsivos. A investigação, conduzida por especialistas da Universidade do Texas em El Paso, nos Estados Unidos, aponta que o momento do dia em que a substância é ingerida desempenha um papel determinante na forma como o sistema neurológico regula as ações e a tomada de decisões.

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De acordo com o pesquisador Paul Sabandal, um dos responsáveis pelo projeto, a onipresença da substância na rotina global motivou a análise detalhada. Em comunicado oficial, ele destacou que “a cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo, com cerca de 85% dos adultos nos EUA usando-a regularmente. Dada essa popularidade, queríamos entender melhor como fatores como o horário de consumo afetam o controle comportamental”. O levantamento buscou identificar se a estimulação provocada pela bebida altera a capacidade de frear impulsos diante de situações de risco ou desconforto.

Metodologia aplicada e reações biológicas observadas

Para viabilizar o experimento, os cientistas utilizaram moscas-das-frutas, organismos frequentemente empregados em modelos científicos devido às semelhanças biológicas com os seres humanos no processamento de estímulos. Os espécimes foram submetidos a doses variadas de cafeína em diferentes turnos. Ao serem expostas a uma corrente de ar desagradável, as moscas que consumiram a substância durante o dia mantiveram a capacidade de interromper o movimento para evitar o incômodo. Contudo, o grupo que recebeu a dose à noite demonstrou falhas severas nessa regulação.

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O professor Erick Saldes detalhou que o comportamento dos insetos mudou drasticamente conforme o relógio biológico. Segundo o especialista, “descobrimos que as moscas que consumiam cafeína à noite eram menos capazes de interromper o movimento, exibindo comportamentos impulsivos, como voos imprudentes, mesmo diante de condições adversas”. Essa distinção reforça a tese de que o impacto da cafeína não é linear, variando conforme o ciclo circadiano e afetando a prudência nas reações motoras e decisórias.

Diferenças de resposta entre os sexos e implicações práticas

A pesquisa também revelou uma variação significativa na sensibilidade à substância entre machos e fêmeas. Embora ambos apresentassem concentrações similares de cafeína no organismo, as fêmeas manifestaram níveis de impulsividade consideravelmente superiores. O pesquisador Kyung-An Han observou que “as moscas não possuem hormônios humanos como o estrogênio, o que sugere que outros fatores genéticos ou fisiológicos podem explicar essa maior sensibilidade nas fêmeas”. O achado abre caminho para novas investigações sobre como o gênero influencia o metabolismo de estimulantes.

Embora os testes tenham sido realizados em modelos animais, os autores acreditam que os dados fornecem uma base importante para compreender a rotina de humanos que dependem da cafeína para trabalhar em turnos noturnos ou estender a jornada de vigília. Profissionais de saúde e trabalhadores da indústria podem estar mais suscetíveis a escolhas arriscadas sob o efeito tardio da substância. Os cientistas reiteram a necessidade de estudos clínicos complementares em humanos para validar a extensão desses efeitos no cotidiano e na segurança ocupacional.

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