Brasil

Tenente-coronel detido por crime contra esposa é alvo de denúncia de assédio na PM

Militar relata ao Ministério Público tentativa de beijo forçado e transferência punitiva cometidas por oficial investigado pelo caso Gisele Alves

Uma policial militar formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público contra o tenente-coronel Geraldo Neto, que se encontra detido sob a suspeita de ter tirado a vida de sua esposa, Gisele Alves Santana, na capital paulista. O relato apresentado pela agente detalha situações de assédio sexual e moral que teriam ocorrido no ambiente de trabalho. Segundo as informações divulgadas, a oficial serviu no mesmo batalhão que o acusado entre os meses de julho e novembro do ano anterior, período em que os episódios de conduta inadequada teriam se iniciado dentro da corporação.

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Conforme o depoimento enviado ao órgão fiscalizador, a militar descreve investidas persistentes, incluindo toques físicos não consentidos e convites para encontros fora do expediente. Ela narra que o superior a chamava frequentemente para sua sala, sugerindo portas fechadas, e tentou beijá-la à força nas dependências da unidade. A denunciante enfatizou o comportamento do oficial com a seguinte declaração: “Conhecendo o perfil desse homem e tendo sido vítima dele posso afirmar que ele é capaz de tudo”. Além disso, foram citadas propostas para atividades de lazer e natação, visando estabelecer um vínculo pessoal, as quais foram rejeitadas.

Retaliação profissional e transferência

A denúncia aponta que, diante das recusas, a policial solicitou alteração para o turno da noite, mas as abordagens continuaram. O tenente-coronel teria oferecido supostos favores para gerar um sentimento de dívida, o que também foi negado pela subordinada. Poucos dias após rejeitar as investidas, a agente foi transferida involuntariamente para uma base distante de sua residência, ato que ela classifica como retaliação. O silêncio anterior foi justificado pelo receio de sofrer represálias na corporação, mas a repercussão do falecimento de Gisele a motivou a buscar orientação jurídica e relatar os fatos.

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Em paralelo às novas acusações, Geraldo Neto prestou depoimento sobre o falecimento da esposa, alegando que o casal permanecia junto devido à dependência econômica da vítima. O oficial afirmou que ambos desejavam a separação desde novembro, mas que Gisele não possuía meios de subsistência autônoma para manter-se e cuidar da filha. Segundo o interrogatório, a renda da mulher estaria comprometida por empréstimos consignados utilizados para obras na casa dos pais e procedimentos estéticos, restando menos de mil reais mensais após os descontos das dívidas.

Argumentos sobre dependência financeira

Para custear as despesas domésticas, o acusado disse transferir valores mensais para a esposa e arcar com custos que atingiam dez mil reais. A defesa sustenta que o militar buscou auxiliar a companheira a obter autonomia, articulando uma vaga de trabalho junto ao Tribunal de Justiça com remuneração estimada em seis mil reais. De acordo com a versão apresentada, a posse no cargo estava prevista para o início de março, o que permitiria a Gisele alugar um imóvel próprio e concretizar o divórcio, cenário interrompido pelo trágico evento ocorrido no bairro do Brás.

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