Brasil

Andréia Sadi faz retratação ao vivo e editora é dispensada da GloboNews

Emissora admitiu falha em gráfico sobre Banco Master exibido na sexta-feira; profissional experiente foi desligada após o episódio

A GloboNews realizou uma retratação pública nesta segunda-feira (23) após a exibição de um gráfico considerado incorreto durante o programa Estúdio i, veiculado na última sexta-feira (20). A apresentadora Andréia Sadi conduziu o pedido de desculpas ao vivo, esclarecendo que o material gráfico, que associava figuras políticas ao caso do Banco Master, não cumpria os critérios editoriais da emissora. Como consequência direta do episódio, uma editora veterana da equipe foi desligada de suas funções, embora informações de bastidores indiquem que o conteúdo havia passado por aprovação de superiores antes da transmissão.

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O infográfico polêmico tentava demonstrar conexões entre o banqueiro Vorcaro e diversas autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, a emissora reconheceu posteriormente que a arte apresentava falhas de apuração e contextualização. Durante a correção no ar, Sadi explicou a natureza do erro aos telespectadores. “Na última sexta, a gente exibiu aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes. Como a gente já fez em outras ocasiões, no entanto, o material estava errado e incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”, afirmou a jornalista.

Detalhes sobre o erro editorial

A profissional dispensada possuía anos de casa e foi apontada como a responsável pelo equívoco, apesar de relatos sugerirem que a imagem foi validada pela chefia. A explicação oficial detalhou que houve uma confusão entre diferentes tipos de relacionamentos na montagem dos dados. Segundo a apresentadora, “Esse conteúdo acabou misturando contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal, além de outros nomes sob análise da PF”. A emissora reiterou que a divulgação feriu seus princípios de qualidade e precisão jornalística.

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Além das conexões imprecisas, o canal de notícias admitiu que deixou de fora nomes importantes que já são de conhecimento público no âmbito das investigações. A retratação pontuou que figuras do judiciário e autoridades monetárias não foram citadas na arte original. Andréia Sadi complementou: “A arte também estava incompleta porque não foram incluídos nomes que já se tornaram públicos por envolvimento com o caso Master, como ministros do Supremo e políticos , nem ex-diretores do Banco Central, que estão sob escrutínio da polícia por suspeita de corrupção na relação com o banqueiro. Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas”.

Críticas de ex-profissionais

O incidente provocou reações de antigos colaboradores da rede. O jornalista Ari Peixoto, que atuou na empresa por mais de três décadas, manifestou-se sobre a atual diretriz do canal ao comentar uma publicação da colega Neide Duarte. Ele relembrou seu tempo na casa: “Trabalhei nesta emissora por 34 anos e posso dizer, sem medo de errar, que alguns destes anos foram os melhores para mim, para ela e para o jornalismo”. Peixoto concluiu com uma observação crítica sobre a gestão: “Mas, aos poucos, tudo isso foi ficando para trás, os melhores repórteres, repcines, editores e produtores foram saindo (ou foram saídos) e o que era para ser uma emissora de televisão se tornou uma arma política, quase um partido autônomo, dirigido por gente ressentida pelas derrotas sucessivas para os candidatos da esquerda”.

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