Esportes

A frase polêmica que rendeu suspensão e multa de R$ 20 mil a Abel Braga

Treinador do Internacional foi julgado pela 6ª Comissão Disciplinar por infração ao artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva

A 6ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) condenou o técnico do Internacional, Abel Braga, em julgamento realizado recentemente. A pena imposta ao profissional compreende a suspensão por cinco partidas oficiais e o pagamento de uma multa estipulada em R$ 20 mil. A decisão foi tomada em decorrência de uma infração ao artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata especificamente de atos discriminatórios no ambiente esportivo, resultando na sanção disciplinar aplicada pelo tribunal.

O episódio que motivou o processo ocorreu em 30 de novembro de 2025. Naquela data, o treinador fez um comentário a respeito da cor dos uniformes de treino utilizados pela equipe. Conforme consta nos registros do processo, Abel Braga disse: “Eu não quero a porra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de veado”. A declaração resultou na denúncia por ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante relacionado a preconceito, conforme tipificado na legislação desportiva vigente no país.

Enquadramento legal e penalidades previstas

A Procuradoria da Justiça Desportiva sustentou a tese de que a manifestação possuía teor homofóbico, enquadrando-se nas violações previstas pelo código. O artigo utilizado para a condenação estabelece punições que variam de cinco a dez partidas de suspensão, além de multas pecuniárias que podem oscilar entre R$ 100 e R$ 100 mil. A sentença definida pelo tribunal aplicou a pena mínima de jogos de suspensão, mas estabeleceu um valor financeiro de R$ 20 mil, mantendo-se dentro dos parâmetros legais, embora abaixo do teto máximo permitido para infrações dessa natureza.

Para fundamentar a decisão condenatória, a 6ª Comissão Disciplinar do STJD avaliou o impacto e o significado das palavras proferidas pelo comandante da equipe colorada. O entendimento formalizado pelo órgão foi de que a atitude “configura ato discriminatório manifestação verbal proferida por treinador, em entrevista coletiva, que associa de forma pejorativa elemento neutro (cor de uniforme) à orientação sexual, mediante expressão historicamente utilizada para inferiorizar pessoas LGBTQIAPN+”. Essa interpretação técnica foi determinante para a aplicação da sanção.

Justificativas da defesa no julgamento

Durante a sessão de julgamento, o técnico apresentou sua versão dos fatos na tentativa de explicar o contexto de sua fala. Abel Braga afirmou aos auditores presentes que “não tinha a menor intenção de querer ofender seja quem for”. Ao ser indagado especificamente pela auditora Aline Gonçalves Jatahy se associava a cor rosa a algum estereótipo de orientação sexual, o profissional negou tal relação e argumentou em sua defesa: “uso muito rosa (…) não tenho qualquer tipo de discriminação”. Apesar das explicações fornecidas, o tribunal manteve a condenação.

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