Especialista aponta perigos da desidratação e misturas no Carnaval
Médico explica como evitar problemas cardíacos e mal-estar durante os blocos, destacando a importância da hidratação e cuidados com o sol
Durante as festividades do Carnaval de 2026, a preocupação com o bem-estar dos foliões ganha destaque diante dos riscos associados à exposição excessiva ao calor e aglomerações. O médico Roberto Kalil, em entrevista recente, ressaltou a necessidade de cautela para evitar complicações de saúde, enfatizando que o perigo é ampliado para indivíduos que já apresentam condições cardíacas ou outros quadros clínicos prévios. A combinação de fatores ambientais extremos com o comportamento dos participantes pode resultar em consequências graves para o organismo.
O especialista foi enfático ao abordar o consumo de bebidas alcoólicas, desconstruindo a ideia de que existe um nível seguro para a ingestão dessas substâncias durante a folia. Segundo ele, a ciência atual não valida o consumo moderado, defendendo a abstenção total para garantir a integridade física. Kalil declarou: “Você junta álcool em excesso, a pessoa desidrata e abusa da bebida. O álcool, assim como o cigarro, tem que ser proibido. Não existe álcool moderado, isso a ciência não aceita mais. É não beber e não fumar”.
Riscos da desidratação e calor
A perda rápida de líquidos corporais devido às altas temperaturas é apontada como um dos principais desencadeadores de mal-estar durante os blocos de rua. O quadro tende a se agravar quando associado ao uso de cigarros, sejam eles tradicionais ou eletrônicos, e à baixa ingestão de água. Sobre esse cenário, o médico explicou: “As pessoas desidratam no calor, não se cuidam, fumam tanto cigarro eletrônico como convencional — que o malefício é o mesmo –, desidratam e passam mal”. Os sintomas podem variar de tonturas leves até eventos críticos como infarto ou acidente vascular cerebral.
Outro comportamento de risco frequente entre os participantes da folia é a mistura de energéticos com bebidas etílicas. Essa prática sobrecarrega o sistema cardiovascular, potencializando os efeitos nocivos da desidratação e de outras substâncias ilícitas. O cardiologista alertou sobre essa união de fatores: “O combo é inimigo do coração, que é energético, com álcool, com desidratação, sem falar que é cigarro, drogas e aí vai”. A advertência serve para conscientizar sobre os limites do corpo diante de estímulos tão agressivos.
Cuidados essenciais e recuperação
Para finalizar as orientações, o médico desaconselhou a prática de atividades físicas intensas logo após noites de pouco sono e consumo de álcool, especialmente nos horários mais quentes. Ele ilustrou o erro comum: “O que eu falo é assim, as pessoas bebem, não dormem direito e depois vai correr a meio dia no calor, que também faz mal”. A recomendação principal é manter-se em estado de “hiperhidratação” e utilizar proteção contra o sol, como bonés, embora estes sirvam mais para proteção dermatológica do que para evitar a insolação sistêmica.



