Beber café todo dia protege o cérebro? Veja o que diz nova pesquisa
Análise com mais de 130 mil voluntários indica que duas a três xícaras diárias estão ligadas a menor declínio cognitivo
Um novo estudo publicado na revista Journal of the American Medical Association aponta que o consumo habitual de café pode estar associado a uma diminuição no risco de desenvolver demência. A pesquisa analisou dados de 131.821 voluntários acompanhados entre os anos de 1980 e 2023, sugerindo que a ingestão de duas a três xícaras da bebida por dia auxilia no retardamento do declínio cognitivo e na preservação das funções cerebrais ao longo do envelhecimento.
A investigação baseou-se em dois grandes levantamentos realizados nos Estados Unidos: o Estudo de Saúde das Enfermeiras e o Estudo de Acompanhamento de Profissionais de Saúde. Os participantes, que incluíam mais de 86 mil mulheres e 45 mil homens, preencheram questionários sobre dieta a cada dois ou quatro anos para medir o consumo de café comum, descafeinado e chá. Ao longo de quase 37 anos de monitoramento, foram registrados 11.033 diagnósticos da condição neurológica entre os indivíduos observados.
Redução de riscos e dosagem ideal
A análise dos dados revelou que os indivíduos com maior consumo de cafeína apresentaram um risco 18% menor de demência em comparação àqueles que relataram pouca ou nenhuma ingestão da substância. Além disso, o grupo que consumia a bebida relatou menos queixas sobre memória ou raciocínio. Os pesquisadores identificaram que a quantidade associada aos maiores benefícios foi de duas a três xícaras de café com cafeína ou uma a duas xícaras de chá diariamente, o que equivale a aproximadamente 300 mg de cafeína.
O autor principal do estudo, Yu Zhang, ressaltou em entrevista que o objetivo não é incentivar o início do hábito em quem não consome a bebida. “Não estamos recomendando que pessoas que não bebem café comecem a beber. Estamos apenas constatando que, para pessoas que já bebem café, os resultados são realmente tranquilizadores”, afirmou. O levantamento também notou que o café descafeinado não demonstrou os mesmos efeitos neuroprotetores, indicando que a cafeína, possivelmente combinada a outros compostos como polifenóis, desempenha um papel central nos resultados observados.
Fatores genéticos e limitações do estudo
A equipe verificou ainda a influência da predisposição genética, constatando que a associação benéfica se manteve semelhante independentemente do risco hereditário dos participantes. No entanto, os especialistas alertam que a demência é uma condição complexa e multifatorial. Zhang enfatizou que intervenções dietéticas isoladas não são soluções definitivas, declarando que “Beber café sozinho não fornece o efeito mágico que pode prevenir as pessoas de desenvolver demência”, reforçando a necessidade de uma visão abrangente sobre a saúde cerebral.



