Homens atingem níveis de doença cardiovascular sete anos antes das mulheres
Pesquisa acompanhou mais de 5 mil adultos e revela divergência significativa na saúde do coração entre os sexos a partir da terceira década de vida
Uma nova pesquisa publicada no Journal of the American Heart Association revela que os homens começam a desenvolver riscos significativos de doenças cardiovasculares consideravelmente mais cedo do que as mulheres. O estudo, que analisou dados de mais de 5.000 adultos ao longo de décadas, identificou que a divergência nos perfis de risco entre os sexos se acentua por volta dos 35 anos. Segundo os dados levantados, os participantes do sexo masculino atingiram níveis clinicamente relevantes de enfermidades cardiovasculares aproximadamente sete anos antes das participantes do sexo feminino, alterando a percepção sobre o momento ideal para o início do monitoramento preventivo.
Especialistas alertam que a deterioração da saúde do coração é um processo cumulativo e muitas vezes silencioso nas fases iniciais. A coautora do estudo, Dra. Sadiya Khan, professora de epidemiologia cardiovascular na Feinberg School of Medicine da Northwestern University, reforça a necessidade de atenção precoce. “A doença cardíaca não acontece da noite para o dia; ela se desenvolve ao longo de anos. Uma das coisas que eu acho que muitas vezes as pessoas não percebem é que isso pode começar bem cedo, na casa dos 30 ou 40 anos”, afirmou a pesquisadora. Khan complementa o alerta sobre a prevenção: “Mesmo que você não tenha doença cardíaca nesse momento, o seu risco pode começar nessa fase.”
Fatores de risco coronariano
Historicamente, a literatura médica citava um intervalo de uma década entre o surgimento dessas condições em homens e mulheres, uma estatística impulsionada principalmente pela análise da doença cardíaca coronariana. A autora sênior do estudo, Alexa Freedman, esclarece essa métrica: “O intervalo de 10 anos é uma estatística comumente citada de que os homens desenvolvem doença cardíaca cerca de 10 anos antes das mulheres. Muitas das pesquisas iniciais sobre isso analisaram especificamente a doença cardíaca coronariana, um subtipo da doença cardiovascular”. A pesquisa atual buscou ampliar esse escopo, examinando também a insuficiência cardíaca e o acidente vascular cerebral (AVC), notando que, diferentemente das questões coronarianas, o risco de AVC se mostrou semelhante para ambos os sexos em idades parecidas.
A análise detalhada utilizou janelas móveis de risco de 10 anos para calcular a probabilidade de desenvolvimento de doenças. Enquanto os riscos eram similares até o início dos 30 anos, aos 50 anos a probabilidade para os homens era de cerca de 6%, contra 3% para as mulheres. Freedman detalha a diferença específica encontrada: “No nosso estudo, cerca de 2% dos homens haviam desenvolvido doença cardíaca coronariana por volta dos 48 anos, e, no caso das mulheres, elas só atingiram essa incidência mais perto dos 58 anos, então observamos esse intervalo de 10 anos”. O estudo indicou que fatores tradicionais como pressão arterial e colesterol não explicaram totalmente essa disparidade temporal.
Importância da prevenção feminina
Apesar dos resultados apontarem para um risco mais precoce nos homens, a comunidade médica enfatiza que as mulheres não devem negligenciar o monitoramento cardiovascular. A Dra. Iris Jaffe, diretora executiva do Molecular Cardiology Research Institute do Tufts Medical Center, observa que existem variáveis biológicas e sociais complexas. “Eu estudo a biologia por trás de tudo isso, e acho que certamente existem algumas diferenças biológicas entre homens e mulheres que explicam parte disso, e que estamos apenas começando a arranhar a superfície para compreender”, pontuou. Jaffe expressou preocupação com a interpretação dos dados: “Eu me preocupo que um estudo como este faça as mulheres pensarem que não precisam se preocupar com a saúde do coração. No fim das contas, a doença cardíaca também é uma das principais causas de morte entre as mulheres”.



