Saúde & Bem-estar

Especialistas listam comportamentos que enfraquecem ossos silenciosamente

Sedentarismo, dieta restritiva e uso de certos medicamentos estão entre os fatores que aumentam a fragilidade óssea segundo médicos de Harvard

Desde a infância, a ingestão de leite é culturalmente associada ao fortalecimento do esqueleto, mas a manutenção da densidade óssea na vida adulta depende de um conjunto muito mais amplo de escolhas cotidianas. Com o processo natural de envelhecimento, o organismo humano passa a perder massa óssea em um ritmo superior à sua capacidade de regeneração, o que eleva substancialmente a vulnerabilidade a fraturas. Dados estatísticos indicam que cerca de 10 milhões de americanos sofrem de osteoporose, enquanto no Brasil estima-se que 15 milhões de pessoas convivam com a condição. Além disso, uma parcela significativa da população apresenta osteopenia, um estágio de baixa densidade mineral que sinaliza um risco elevado para o desenvolvimento da doença.

A incidência de problemas ósseos é alta na população geral, sendo previsto que metade das mulheres e até 25% dos homens sofrerão alguma fratura decorrente da fragilidade óssea ao longo da vida. Apesar desses números expressivos, a conscientização masculina sobre o tema tende a ser menor em comparação ao público feminino, que costuma receber alertas médicos frequentes sobre a diminuição da força óssea, especialmente relacionados ao período da menopausa e pós-menopausa. Joy Tsai, diretora médica da Clínica de Endocrinologia e Osteoporose do Massachusetts General Hospital, afiliado a Harvard, destaca essa discrepância na percepção dos riscos entre os gêneros e a necessidade de vigilância constante.

Fatores de risco e alimentação

Diversos comportamentos influenciam diretamente a integridade do esqueleto de maneira silenciosa. A ingestão insuficiente de cálcio e proteínas, nutrientes essenciais encontrados em laticínios, vegetais de folhas verdes, carnes e peixes, compromete a estrutura óssea e a massa muscular. O consumo excessivo de álcool, tabaco, cafeína e refrigerantes também aparece como fator prejudicial, podendo interferir na capacidade do corpo de absorver minerais ou prejudicar a formação óssea. O sedentarismo é outro ponto crítico apontado por especialistas, pois a falta de exercícios de sustentação de peso, como caminhadas, trilhas e subidas de escadas, impede o fortalecimento necessário para evitar lesões futuras.

O uso contínuo de determinados fármacos requer atenção redobrada, incluindo inibidores da bomba de prótons para azia e, principalmente, esteroides orais utilizados em quadros de asma ou doenças autoimunes. Além dos fatores externos e medicamentosos, o corpo pode emitir sinais de alerta antes de um diagnóstico formal de osteoporose. Fraturas resultantes de impactos leves ou quedas simples, que muitas vezes são ignoradas pelos pacientes, devem ser investigadas clinicamente. A especialista Joy Tsai ressalta a importância de observar esses eventos com cautela: “Se você quebrou o pulso enquanto passeava com o cachorro, pode não achar preocupante. Mas, para mim, isso já é um sinal de alerta de que a qualidade do seu osso talvez não esteja tão boa quanto poderia”.

Diagnóstico precoce e prevenção

Outro indicativo físico relevante para a saúde óssea é a redução da estatura ao longo do tempo, que pode passar despercebida no dia a dia. Joy Tsai aponta que a perda significativa de altura pode sinalizar problemas na densidade óssea: “Não fico alarmada até que alguém tenha perdido cinco a sete centímetros”. Para monitorar a saúde do esqueleto de forma precisa, recomenda-se a realização de exames de imagem, como a densitometria óssea (DEXA). O rastreamento é geralmente indicado a partir dos 65 anos para mulheres e 50 anos para grupos considerados de maior risco. A consulta médica é fundamental para avaliar a necessidade de suplementação de cálcio ou vitamina D, visando a preservação da estrutura óssea.

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