Especialista detalha treino ideal para quem usa canetas contra obesidade
Medicamentos como semaglutida exigem rotina específica de exercícios para evitar perda acentuada de massa muscular durante o tratamento
O uso de medicamentos análogos ao GLP-1, popularmente conhecidos como canetas para emagrecimento, tem transformado o cenário do tratamento da obesidade. No entanto, especialistas alertam que a administração desses fármacos não deve ser isolada de uma rotina de atividades físicas bem estruturada. Segundo Guilherme Artioli, colunista do Estadão, embora esses remédios ofereçam resultados expressivos, a estratégia não pode ser banalizada e exige cuidados específicos para garantir a integridade física do paciente. A combinação de intervenção medicamentosa com exercícios é apontada como mandatória para sustentar a saúde durante o processo de emagrecimento rápido.
Estudos clínicos com substâncias como semaglutida e tirzepatida demonstram perdas de peso que podem superar 20% da massa inicial, resultados antes observados apenas com cirurgias bariátricas. Além da redução de medidas, o tratamento proporciona benefícios como remissão do diabetes tipo 2, diminuição da gordura hepática e redução de riscos cardiovasculares. Contudo, a mudança no estilo de vida permanece fundamental, pois os medicamentos, apesar de eficazes, possuem limitações quanto à manutenção da composição corporal a longo prazo. A intervenção médica facilita o processo, mas não substitui a necessidade de esforço físico.
Impacto na massa muscular
Um dos efeitos adversos que exige maior atenção é a redução significativa de massa magra que acompanha a perda de peso. Análises indicam que essa diminuição gira em torno de 10%, um número que pode parecer baixo, mas representa um impacto fisiológico considerável. Artioli destaca a gravidade dessa estatística com uma comparação direta: “Pode até parecer pouco, mas corresponde a uma perda acumulada em 10 anos de envelhecimento”. Embora a perda de gordura supere a de músculos, o monitoramento dessa equação é vital para evitar fragilidade física futura.
Para mitigar esse efeito, o treinamento de força, ou musculação, é indicado como a melhor estratégia complementar. Esse tipo de exercício atua estimulando o crescimento muscular e freando a perda de força decorrente do tratamento. A prática regular cria uma sinergia com o medicamento, potencializando melhoras metabólicas e combatendo a fadiga. Além disso, a adesão a um programa de exercícios é determinante para a manutenção do peso perdido em cenários futuros de redução da dose ou interrupção do uso do fármaco.
Adaptação e disponibilidade energética
É fundamental considerar que os análogos de GLP-1 atuam reduzindo a ingestão calórica, o que pode levar o paciente a um estado de baixa disponibilidade de energia. Essa condição pode resultar em sensação de cansaço durante as atividades diárias e nos treinos. Portanto, a rotina de exercícios deve ser adaptada para respeitar essa nova realidade metabólica, garantindo que o paciente consiga manter a constância sem exaurir suas reservas energéticas. O equilíbrio entre o tratamento farmacológico e o esforço físico é a chave para resultados sustentáveis e saudáveis.



