Vírus Nipah: entenda a letalidade de 70% e se há risco de nova pandemia
Autoridade sanitária aponta diferenças na transmissão em relação ao coronavírus e destaca monitoramento de casos na Índia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um comunicado oficial classificando como reduzida a probabilidade de o vírus Nipah, recentemente identificado na Índia, evoluir para uma emergência sanitária de escala global. O governo indiano confirmou a infecção em dois profissionais de saúde, sendo que um paciente se encontra em recuperação e o outro apresenta um quadro clínico grave. As autoridades locais agiram rapidamente e realizaram testes em mais de 190 pessoas que tiveram contato direto com os infectados, e todos os exames apresentaram resultado negativo para o patógeno.
A avaliação da agência internacional indica que a chance de disseminação para outras nações ou mesmo para outros estados da Índia é pequena. No entanto, na região de Bengala Ocidental, o risco é considerado moderado devido à presença de reservatórios naturais do vírus. Morcegos que se alimentam de frutas, comuns nessa área, podem contaminar alimentos ou interagir com humanos, facilitando a transmissão local. A alta taxa de letalidade, que varia entre 40% e 70%, permanece como o principal fator de alerta para as equipes de vigilância sanitária.
Diferenças na transmissão viral
Especialistas apontam distinções fundamentais entre o atual surto e a pandemia de Covid-19, principalmente no que tange à forma de contágio. Enquanto o coronavírus se espalhava facilmente pelo ar através de gotículas, o novo agente infeccioso possui mecanismos de propagação distintos. O infectologista Fernando Dias e Sanches, pesquisador da UFRJ, explicou a VEJA SAÚDE: “A infecção pelo Nipah requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais, ou por meio de frutas contaminadas pelos morcegos asiáticos”. Essa característica biológica limita consideravelmente a velocidade de expansão da doença entre a população.
Outro aspecto que diferencia os dois cenários é o impacto da gravidade da infecção na sua disseminação. O Sars-CoV-2 possui uma taxa de letalidade global próxima de 1%, o que permite que muitos infectados circulem e transmitam o vírus. Já o Nipah, por ser muito mais agressivo, muitas vezes faz com que o paciente faleça antes de conseguir passar o agente para outras pessoas. Apesar disso, a vigilância permanece ativa, pois mutações genéticas poderiam alterar essa dinâmica e facilitar o contágio entre humanos no futuro.
Equilíbrio entre riscos e contramedidas
A possibilidade de zoonoses se transformarem em epidemias exige atenção constante das autoridades de saúde pública. O perigo real reside na combinação de fatores biológicos e na resposta médica disponível. A infectologista e patologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, analisa o cenário: “A maior preocupação não está apenas nos vírus raros e altamente letais, nem exclusivamente nos vírus comuns e muito transmissíveis, como gripe e covid, mas no equilíbrio entre letalidade, capacidade de disseminação e disponibilidade de contramedidas”.



