Não vim falar dos outros, vim falar de mim, sim, porque “Mal me domino sentada na almofada gasta do agora”; “Quisera, pelo menos, compreender o que eu, onde eu, por que eu. Esses são versos dos meus livros que trago aqui por dizerem que a vida de cada um acontece na forma como se envolve, se entrega, sofre, vive e sente cada situação, ainda que externa a si.
Das imagens de amor que coleciono, me vem com frequência a da família de Tulinho (Getúlio) e Ana Felipe (que deixou este plano precocemente) com quem tive a felicidade de um pequeno convívio.
Este texto, sem pretensão, é uma forma de homenagem a eles, mas também uma constatação de que a vida alegre e amorosa, em família, pode ser inspiradora.
Carente, tento me apegar a essas imagens. Por muito tempo frequentei a igreja católica na minha cidade, suas festividades e, com frequência eles estavam lá, acompanhados das 5 filhas, em encontros quase sempre alegres e de oração.
Não eram uma presença discreta. Ficavam juntos. Juntos mesmo! Mãos dadas, braço dado, cabecinha no ombro. Chamego e dengo que não costumo ver por aí. Educação acompanhada de gentileza e sorrisos iluminados. Essa imagem me inspira e me faz crer que não estamos sós, que o amor alheio pode e deve nos afetar. Comovida, vou exagerar (como é do meu feitio) porque amor bonito é amor inteiro, sem freio, de graça e sem vergonha. Daí sonhar que um dia, quem sabe, contagiados todos, possamos viver uma “pandemia” de amor.
Girlene Verly é escritora, poeta e dançaterapeuta nascida em Araruama, RJ, há anos morando no interior de Minas. É graduada, mestre em Letras pela UFSJ e doutora em Literatura Comparada pela UFMG. Já publicou em jornais, revistas literárias e antologias. Em 2023 lançou “O corpo sabe que é terça”, mas se distrai”, pela Editora Folheando e em 2024 “Dança de samambaias”, pela Editora Patuá. Instagram: @autora_verly




