Preço do petróleo dispara e ultrapassa US$ 70: entenda os motivos da alta
Mercado reage a possíveis ações militares no Oriente Médio e interrupções na produção; analistas preveem alta contínua nos preços do barril.
Os contratos futuros do petróleo Brent registraram uma valorização expressiva nesta quinta-feira, alcançando o patamar mais elevado dos últimos quatro meses. A cotação ultrapassou a barreira psicológica dos US$ 70, impulsionada principalmente pelo receio do mercado financeiro quanto a uma possível ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã. O país do Oriente Médio ocupa atualmente a posição de quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mantendo uma extração diária estimada em 3,2 milhões de barris, o que torna qualquer instabilidade na região um fator crítico para o abastecimento global de energia.
Analistas do setor monitoram de perto os riscos de desabastecimento caso o conflito diplomático evolua para um confronto físico na região estratégica do Golfo Pérsico. John Evans, analista da corretora PVM, destacou os perigos envolvidos na atual conjuntura geopolítica e o impacto nas rotas comerciais. Segundo ele, “A preocupação imediata (do mercado)… é o dano colateral causado se o Irã atacar seus vizinhos ou, possivelmente ainda mais significativo, fechar o Estreito de Ormuz aos 20 milhões de barris por dia de petróleo que por ele transitam”. O fluxo nessa rota marítima é considerado vital para o equilíbrio da oferta e demanda mundial.
Variação nos preços e pressão diplomática
Durante as negociações do dia, os futuros do Brent avançaram 2,03%, sendo cotados a US$ 69,79 por barril, após atingirem um pico intradiário de US$ 70,35, o maior valor desde o final de setembro. O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado dos Estados Unidos, também apresentou alta de 2,17%, chegando a US$ 64,58. Esse cenário de valorização ocorre em meio ao aumento da pressão exercida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para que Teerã encerre seu programa nuclear. Fontes indicam que Washington avalia estratégias que incluem ações direcionadas a lideranças e forças de segurança iranianas para desestabilizar o governo local.
A instabilidade geopolítica tem refletido diretamente no custo da commodity, conforme avaliações de grandes instituições financeiras que projetam cenários futuros. Analistas do Citi observaram em nota enviada a clientes que “A possibilidade de o Irã ser atingido elevou o prêmio geopolítico dos preços do petróleo em potencialmente US$3 a US$4 (por barril)”. A projeção indica que a tendência de alta pode persistir no curto prazo se as tensões não diminuírem. A instituição acrescentou ainda que uma nova escalada geopolítica poderia elevar os preços para até US$ 72 por barril de Brent nos próximos três meses.
Impactos climáticos e retomada da produção
Além das questões diplomáticas no Oriente Médio, fatores técnicos e climáticos em outras regiões produtoras também influenciam o comportamento do mercado. O campo de Tengiz, no Cazaquistão, passa por um processo de reinício gradual após incêndios elétricos, enquanto produtores norte-americanos retomam atividades que foram afetadas pelo frio intenso da tempestade de inverno Fern. Suvro Sarkar, líder da equipe de energia do DBS Bank, resumiu o cenário atual: “O principal fator que impulsiona os preços do petróleo continua sendo o prêmio de risco geopolítico em torno do Irã e do Oriente Médio, embora interrupções não planejadas no Cazaquistão e nos EUA (tempestade de inverno Fern) também tenham tido um impacto temporário”.



