Saúde & Bem-estar

Pesquisa revela que obesidade disparou 118% no Brasil nos últimos anos

Levantamento mostra avanço de diabetes e hipertensão; governo lança programa Viva Mais Brasil com aporte de R$ 340 milhões

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (28) os dados da pesquisa Vigitel 2025, revelando uma mudança significativa no perfil de saúde da população brasileira. O levantamento aponta que o número de adultos com obesidade aumentou 118% no período compreendido entre 2006 e 2024. Além do crescimento desse índice, o estudo identificou uma elevação substancial em outras condições crônicas durante o mesmo intervalo de tempo. Os casos de diabetes apresentaram um salto de 135%, enquanto o excesso de peso subiu 47% e os diagnósticos de hipertensão cresceram 31%. Esses números oferecem um panorama detalhado sobre os fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis no país.

As alterações comportamentais também foram mapeadas pelo estudo, evidenciando mudanças na forma como os brasileiros se exercitam e descansam. Embora a prática de atividades físicas no tempo livre tenha subido para 42,3%, o deslocamento ativo — realizado a pé ou de bicicleta — caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, indicando maior dependência de transporte público ou privado. Pela primeira vez, o documento trouxe dados nacionais sobre o sono, mostrando que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% relatam sintomas de insônia, com maior prevalência entre o público feminino.

Mobilização para promoção da saúde

Diante do cenário estatístico apresentado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma iniciativa voltada à promoção da qualidade de vida e prevenção de enfermidades. O projeto prevê um investimento total de R$ 340 milhões em políticas de incentivo à atividade física. Parte significativa desse montante será destinada à retomada do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026, conforme portaria assinada na data da divulgação. O objetivo é fortalecer a rede de atenção básica e oferecer alternativas para a melhoria do bem-estar da população.

A administração federal planeja elevar o custeio dos serviços do programa, podendo chegar a R$ 10 mil dependendo da modalidade e do quadro de profissionais. Atualmente, o Brasil possui 1.775 unidades da Academia da Saúde, com a expectativa de credenciar 300 novos serviços até o final do ano. Padilha ressaltou a importância dessas estruturas para a saúde pública. “Com essas mudanças, virá recurso do presidente Lula para ampliar o investimento e contratar profissionais para atuarem nas academias da saúde. A implantação de espaços com equipamentos e profissionais orientando, vinculados às unidades básicas de saúde, levou à redução do uso de medicamentos, inclusive ansiolíticos e antidepressivos”, afirmou o ministro.

Hábitos alimentares e monitoramento

No que tange aos padrões de alimentação, o consumo regular de frutas e hortaliças manteve-se estável, fazendo parte da rotina de aproximadamente 31% dos brasileiros. A pesquisa Vigitel, realizada anualmente por inquérito telefônico, serve como um instrumento fundamental para o monitoramento de indicadores de saúde em todo o território nacional. As informações coletadas orientam a criação e o ajuste de políticas públicas, como a nova mobilização anunciada, visando conter o avanço das doenças crônicas e estimular a adoção de hábitos mais saudáveis pela sociedade.

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