Luxo e cifras milionárias: a lista secreta de Daniel Vorcaro com políticos em Nova York
Documento apreendido pela Polícia Federal detalha despesas do controlador do Banco Master com jantares e hospedagens para autoridades brasileiras
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, destinou R$ 11,9 milhões para eventos direcionados a políticos em Nova York. A informação consta em planilha apreendida pela Polícia Federal no celular do executivo. O documento integra a Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. A ação mira o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e apura a relação entre as despesas do banqueiro e movimentações no setor público.
Os registros detalham compromissos em maio de 2024, incluindo uma festa em suíte presidencial em Manhattan que custou US$ 721 mil, descrita nos bastidores como a “noite das astronautas”. A lista de gastos de Daniel Vorcaro engloba uma degustação no The Carnegie Club, avaliada em US$ 1 milhão. Na ocasião, os participantes receberam charutos e garrafas de whisky Macallan 25 anos, cujo valor individual atinge R$ 30 mil.
Relação de Daniel Vorcaro com Cláudio Castro
As mensagens interceptadas mostram a organização de jantares exclusivos. Em diálogo sobre reserva no restaurante Nusr-Et, Cláudio Castro respondeu ao convite com a frase: “Você não existe”. A Polícia Federal aponta que o alinhamento entre o executivo e o político ocorreu no período em que o Rioprevidência realizou transferências bilionárias para a instituição financeira controlada pelo empresário.
A lista de convidados incluiu o senador Ciro Nogueira e os deputados Hugo Motta, Marcos Pereira, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho. O roteiro de despesas do controlador do Banco Master também registrou passagens pela Europa. Em abril, uma planilha indicou o pagamento de US$ 640,8 mil em um clube em Mayfair, Londres, durante evento que reuniu parlamentares e autoridades do Judiciário brasileiro.
Repasses do Rioprevidência ao Banco Master
O foco da Operação Compliance Zero é determinar se os eventos funcionaram como contrapartida para a liberação de recursos. A decisão judicial menciona que a investigação identificou um “vínculo pessoal estreito” entre o executivo e o ex-governador. O fundo fluminense transferiu cerca de R$ 3 bilhões para o banco. A tese aponta que as viagens serviram para consolidar influência e facilitar a aprovação dos aportes.



