Política

Flávio Bolsonaro envia carta aos EUA antes de Trump anunciar novas tarifas ao Brasil

Medida americana cita falhas na fiscalização trabalhista, setor que sofreu cortes de verbas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. A decisão da administração de Donald Trump foi divulgada horas após o senador Flávio Bolsonaro enviar um ofício ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pedindo que o país não aplicasse novas sanções comerciais. A medida utiliza como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e ocorre logo após Rubio classificar o território brasileiro como um país “não amigável” durante uma audiência no Senado.

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Na carta enviada a Washington, Flávio Bolsonaro cita uma “grave deterioração fiscal e econômica” no cenário interno. O parlamentar argumentou que “a imposição de novas tarifas causaria sério prejuízo ao povo brasileiro, justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como parceiro e amigo”. O documento também apresentou um tom voltado ao cenário político, com o senador afirmando estar “confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro”. A resolução americana avançou, somando-se à ameaça anterior de uma sobretaxa de 25% motivada por questões envolvendo o sistema Pix e o meio ambiente.

Motivos da sanção de Trump e o histórico de Jair Bolsonaro

A justificativa americana sobre a falta de rigor contra a exploração laboral esbarra nas políticas adotadas durante a gestão de Jair Bolsonaro. No seu mandato, o Ministério do Trabalho foi extinto e incorporado à pasta da Economia, enquanto o orçamento destinado à fiscalização trabalhista sofreu uma redução de 55%. Em valores ajustados pela inflação, os recursos recuaram de R$ 68,2 milhões em 2019 para R$ 30,4 milhões em 2022, inviabilizando diversas ações do Estado diante do aumento de denúncias de irregularidades.

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Em 2019, o então presidente defendeu mudanças legais sobre o tema, declarando que “A linha divisória entre trabalho escravo e trabalho análogo à escravidão é muito tênue e para pular para escravo é um pulo”. Ele disse na ocasião que a maioria dos empresários não quer “maldade com o funcionário, nem escravizá-lo”. Sobre as regras de autuação, afirmou: “Aí você vai na OIT ver a definição de trabalho análogo à escravidão: são 150 itens. Então, de acordo com quem vai autuar ou não aquele possível erro da função do trabalho, a pessoa vai responder por trabalho escravo. E aí, se for condenado, dada a confusão da Constituição, no meu entender, o elemento pega a propriedade. Essa regra tem de ser adaptada à evolução”.

Impacto das tarifas de Trump nas exportações do Brasil

A palavra final sobre a implementação efetiva das sobretaxas permanece sob a autoridade de Donald Trump. As exigências recentes do governo americano englobam não apenas a legislação laboral, mas também cobranças relacionadas ao desmatamento e à transparência institucional, áreas que registraram índices críticos no governo federal anterior. A imposição das tarifas afeta diretamente as exportações nacionais, forçando o setor produtivo e a diplomacia a buscarem alternativas para mitigar o impacto financeiro das sanções estabelecidas por Washington.

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