Entrevistas

Entrevista com a jornalista e escritora Elen de Souza que nos conta um pouco de sua vida

Na entrevista se aborda o recente prêmio que ganhou e seu livro

A escritora Elen de Souza vem conquistando espaço na literatura contemporânea ao abordar temas atuais e necessários, como feminismo, pós-verdade e fake news. Premiada na categoria Jornalismo de entretenimento pelo Prêmio Laurel Verbum, a autora une pesquisa acadêmica, vivência pessoal e reflexão crítica em sua obra “Feminismo, pós-verdade e Fakenews: os desafios na era das Redes Sociais”. Nesta entrevista, Elen fala sobre sua trajetória literária, os desafios da produção do livro, o impacto das redes sociais na disseminação da desinformação e a importância da literatura como ferramenta de transformação social.

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  1. Como surgiu a inspiração para escrever a obra “Feminismo, pós-verdade e Fakenews: os desafios na era das Redes Sociais”?

A inspiração surgiu a partir das minhas pesquisas acadêmicas, da minha trajetória profissional na área de comunicação e marketing digital e também da minha vivência enquanto feminista. Sempre compreendi a importância do movimento feminista na luta por direitos, igualdade e transformação social, mas também observei como as redes sociais passaram a ser espaços marcados pela disseminação de discursos de ódio, desinformação e fake news que atingem diretamente essas pautas. Durante a pandemia, iniciei a graduação em Sociologia e decidi desenvolver um artigo sobre esse tema, buscando compreender os impactos da pós-verdade no ambiente digital. A partir dessa pesquisa nasceu o livro, como uma forma de promover reflexão crítica sobre a importância do feminismo e os desafios enfrentados na era das redes sociais e da desinformação.

  1. O que representa para você conquistar o Prêmio Laurel Verbum na categoria Jornalismo de entretenimento?

O Prêmio Laurel Verbum possui uma importância muito significativa por incentivar a literatura, valorizar a cultura e reconhecer profissionais que contribuem para o fortalecimento da leitura e da produção literária no Brasil. Participar de uma premiação ao lado de tantos escritores talentosos foi uma experiência extremamente emocionante, enriquecedora e inspiradora. Receber esse prêmio representa, para mim, a realização de um sonho e um marco muito especial na minha trajetória como escritora.

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  1. De que forma as redes sociais influenciam atualmente a disseminação de fake news relacionadas ao feminismo?

As redes sociais transformaram profundamente a maneira como as pessoas consomem informação, proporcionando acesso rápido e constante aos acontecimentos do mundo. No entanto, ao mesmo tempo em que facilitam a comunicação e o compartilhamento de conteúdos, também se tornaram espaços onde a desinformação e as fake news se disseminam com grande velocidade.No caso do feminismo, isso acontece por meio da circulação de conteúdos manipulados, discursos de ódio e fake news que constroem uma imagem distorcida do movimento. Frequentemente, o feminismo é associado a rótulos equivocados e estereótipos pejorativos, como a ideia de que mulheres feministas odeiam homens, são contra o casamento, contra a maternidade ou defendem determinadas pautas de maneira radicalizada. Esse tipo de narrativa acaba afastando muitas pessoas do verdadeiro propósito do feminismo, que é a luta por igualdade de direitos, respeito e justiça social.

 

  1. Quais foram os maiores desafios durante a pesquisa e produção do livro?

Um dos primeiros desafios foi encontrar um equilíbrio entre teoria e acessibilidade, para que a leitura fosse fluida e envolvente, sem tornar o conteúdo pesado ou excessivamente acadêmico. Outro grande desafio foi acompanhar a rapidez das transformações no ambiente digital, onde informações, narrativas e fake news mudam constantemente. Também tive a preocupação de buscar referências confiáveis e aprofundar meus estudos através da leitura de autores e autoras que pesquisam pós-verdade, desinformação e redes sociais, para construir uma base teórica consistente. Ao longo de todo o processo, procurei escrever de forma clara e acessível, mas sem perder a profundidade crítica necessária para discutir um tema tão atual e importante.

  1. Você acredita que a literatura pode ajudar no combate à desinformação? Como?

Sim, acredito profundamente nisso. A literatura tem o poder de despertar o pensamento crítico, ampliar perspectivas e incentivar o questionamento. Quando um leitor entra em contato com obras que promovem reflexão e conhecimento, ele desenvolve maior consciência para analisar informações e identificar discursos manipuladores. A escrita também é uma forma de resistência e transformação social. Além disso, quanto mais uma pessoa lê,  independentemente do gênero literário,  mais amplia sua capacidade de interpretação textual e compreensão crítica. Em uma era  digital marcada por conteúdos rápidos, resumidos e muitas vezes superficiais, a habilidade de interpretar e refletir sobre a informação se torna ainda mais necessária.

  1. Qual a importância de premiações como o Prêmio Laurel Verbum para autores independentes e para a literatura brasileira?

Premiações como o Laurel Verbum são fundamentais porque valorizam a literatura nacional, fortalecem a cultura e incentivam escritores a continuarem produzindo e compartilhando suas obras. Esses eventos também têm um papel importante ao ampliar a visibilidade da literatura brasileira contemporânea e promover encontros entre autores, artistas e leitores de diferentes regiões do país. Por isso, também é importante destacar o trabalho dos organizadores da premiação, em especial do curador Ulisses Cobucci, que desenvolve um trabalho significativo de incentivo à literatura, à leitura e à valorização da produção cultural brasileira.

 

  1. Em sua opinião, por que temas como pós-verdade e fake news precisam ser mais debatidos pela sociedade?

Porque estamos vivendo uma era em que a informação influencia diretamente decisões políticas, sociais e culturais. Quando a sociedade não debate esses temas de forma séria, abre espaço para manipulação, intolerância e desinformação. Falar sobre pós-verdade e fake news é também discutir educação midiática, responsabilidade digital e democracia.

  1. Como foi participar de uma premiação que reuniu escritores e artistas de diversas regiões do Brasil?

Foi uma experiência extremamente emocionante e inesquecível. Estar ao lado de escritores de diferentes regiões do país reforça a força e a riqueza da literatura brasileira. Foi um momento de troca, reconhecimento e celebração da cultura nacional, além da oportunidade de conhecer trajetórias inspiradoras em uma cerimônia grandiosa, que lembrava o clima de uma premiação estilo Oscar. Sinceramente, ainda fico sem palavras para descrever tudo o que senti naquela noite tão especial.

 

  1. Que mensagem você espera transmitir aos leitores através da sua obra?

Espero transmitir a importância do pensamento crítico, do diálogo e da busca por informação através de fontes confiáveis. Quero que os leitores reflitam sobre o impacto das redes sociais na sociedade contemporânea e compreendam que combater a desinformação também é uma forma de promover cidadania, respeito e transformação social. Além disso, desejo ressaltar a importância do movimento feminista na luta por igualdade de direitos, respeito e proteção às mulheres, especialmente em um momento tão preocupante, marcado pelo aumento dos casos de feminicídio e violência de gênero.

  1. Após essa conquista, quais são os próximos projetos literários da escritora Elen de Souza?

 

Atualmente, estou desenvolvendo meu segundo livro, uma obra voltada à reflexão sobre masculinidades e os desafios das relações sociais contemporâneas. Também participo de uma antologia feminina que será lançada pela Editora Ler e Amar e da produção de um livro sobre as memórias das Promotoras Legais Populares, formação da qual faço parte através da União de Mulheres de São Paulo.Neste ano, também participarei de importantes eventos literários, como a Feira do Livro do Pacaembu, em junho, a FLIV – Feira Literária de Varginha, em julho, e a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.Além da escrita, continuo dedicada aos projetos da Editora Towanda, fundada com o objetivo de fortalecer a literatura independente e ampliar espaços para novas vozes.

 

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