Entrevistas

Brasil hora hora entrevista Gisele Ferreira que fala sobre a Flipoços

Passado e futuro da feira literária é abordado na entrevista

Em meio ao fortalecimento dos festivais literários no Brasil, a FLIPOÇOS se consolidou como um dos principais eventos culturais do país, levando milhares de pessoas a Poços de Caldas todos os anos. Mais do que uma feira de livros, o evento se transformou em um espaço de encontro entre leitores, escritores e diferentes manifestações artísticas, contribuindo diretamente para a democratização do acesso à literatura.

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À frente dessa trajetória está Gisele Ferreira, uma das responsáveis por idealizar e expandir o projeto ao longo dos anos. Nesta entrevista, ela relembra os primeiros passos do festival, os desafios enfrentados fora dos grandes centros culturais e a evolução que levou a FLIPOÇOS a alcançar reconhecimento nacional e internacional. Também destaca o impacto do evento na formação de leitores, especialmente entre os jovens, e reflete sobre o papel da cultura em tempos de transformação social e tecnológica.

Ao abordar passado, presente e futuro, Gisele revela não apenas os bastidores de um dos maiores festivais literários do Brasil, mas também reforça a importância da literatura como ferramenta de inclusão, reflexão e mudança.

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  • Como surgiu a ideia de criar a FLIPOÇOS e quais eram os principais objetivos naquele momento inicial?

O Flipoços nasceu do desejo de transformar Poços de Caldas em um território de encontros literários, democratizando o acesso ao livro e à leitura. Desde o início, o objetivo foi aproximar autores e leitores, valorizar a literatura em suas múltiplas formas e inserir a cidade no circuito dos grandes festivais culturais do país. 

 

  • Quais foram os maiores desafios enfrentados nas primeiras edições do evento?

Os principais desafios foram a captação de recursos, a consolidação de público e a construção de credibilidade. Realizar um festival literário de grande porte fora dos grandes centros sempre exigiu persistência, articulação e muita convicção na importância da cultura. 

 

  • De que forma a feira evoluiu ao longo dos anos em termos de estrutura e programação?

A evolução foi significativa. Ampliamos a estrutura, diversificamos a programação e passamos a integrar outras linguagens artísticas, como cinema, teatro, música e artes visuais. O festival sempre teve como objetivo ser plural, inclusivo, diversificado que dialogasse com diferentes públicos e gerações. 

 

  • Em que momento a FLIPOÇOS passou a ganhar reconhecimento nacional e internacional?

Esse reconhecimento veio de forma gradual, a partir da consistência do trabalho e da qualidade da programação. A presença de grandes autores, parcerias institucionais e a internacionalização do festival contribuíram para consolidar o Flipoços como um dos principais eventos literários do Brasil. 

 

  • Como é feita a curadoria dos convidados, autores e temas abordados a cada edição?

A curadoria parte de um tema central, que orienta toda a programação. Buscamos reunir vozes diversas, equilibrando nomes consagrados e novos autores, sempre atentos às questões contemporâneas, à diversidade e ao diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Trabalhamos ouvindo as pessoas, seus anseios e desejos de transformação. Somos uma equipe pequena que pensa o festival, porém mentes brilhantes. 

 

  • Qual foi a edição mais marcante até hoje e por quê?

Cada edição tem sua singularidade, mas as mais desafiadoras — especialmente durante e após a pandemia — foram também as mais marcantes. Elas reafirmaram a força do festival e a importância da cultura como espaço de encontro e resistência. E tantos outros momentos quanto recebemos em Poços de Caldas algumas das mais importantes personalidades literárias do País, como Ariano Suassuna, Adelia Prado, João Ubaldo Ribeiro, Ferreira Gullar, Rubem Alves, autores internacionais e tantos e tantos outros. 

 

  • Como a feira impacta a cena cultural e literária de Poços de Caldas?

O impacto é profundo. O festival movimenta a economia criativa, fortalece o turismo cultural e transforma a cidade em um polo literário, estimulando o acesso à cultura e o orgulho local. Recebemos em cada edição em torno de 50 mil pessoas, consolidando o festival como um dos mais importantes do Brasil. 

 

  • De que maneira o evento contribui para a formação de novos leitores, especialmente entre os jovens?

Por meio de uma programação educativa robusta, com atividades voltadas para escolas, mediação de leitura e encontros com autores. O contato direto com a literatura viva é fundamental para despertar o interesse dos jovens leitores. Além de parcerias consolidades como com o Sesc que auxilia no Espaço Flipocinhos. 

 

  • Como a FLIPOÇOS se adaptou às mudanças tecnológicas e ao crescimento do mercado digital?

Incorporamos novas plataformas, ampliamos a comunicação digital e passamos a integrar discussões sobre o universo virtual, sem perder a essência do encontro presencial, que é um dos grandes diferenciais do festival. 

 

  • Durante a pandemia, quais foram as estratégias adotadas para manter a feira ativa?

Realizamos edições online, com transmissões ao vivo e conteúdos digitais, sendo o primeiro evento do gênero no Brasil a utilizar uma mesma plataforma onde tivemos salas virtuais e a feira do livro virtual. Foi uma inovação incrível. Foi um momento de reinvenção, que nos permitiu ampliar o alcance do festival e manter o diálogo com o público. 

 

  • Qual é o papel dos parceiros e patrocinadores na realização do evento?

Fundamental. São eles que viabilizam o festival e acreditam na cultura como investimento social. Sem esse apoio, um evento dessa dimensão não seria possível. Mas estamos precisamos muito de apoio e patrocínios.  

 

  • Como você avalia o crescimento do interesse do público pela literatura nos últimos anos?

Temos percebido um crescimento significativo, impulsionado também pelas redes sociais e por novos formatos de divulgação. A literatura segue sendo uma ferramenta essencial de reflexão e transformação. Trabalhamos imensamente para atrair cada vez mais leitores. 

 

  • Quais são os principais desafios para manter um evento cultural desse porte no Brasil atualmente?

A instabilidade no financiamento, a burocracia e a necessidade constante de captação de recursos são grandes desafios. Ainda assim, seguimos firmes, acreditando no papel transformador da cultura. Mas a luta é árdua e desafiadora sempre. 

 

  • Há planos de expansão ou novidades previstas para as próximas edições da FLIPOÇOS?

Sim, estamos sempre buscando inovar, ampliar parcerias internacionais e fortalecer projetos de inclusão e formação de leitores, além de integrar novas linguagens e experiências ao festival. 

 

  • Que legado a feira pretende deixar para a literatura e para as futuras gerações?

Certamente o legado do Flipoços é imensurável, só saberemos um dia que ele deixar de existir. Porém as sementes plantadas ao longo de todos estes anos, germinaram como seres-humanos melhores através da leitura. O legado é o de formar leitores, valorizar a diversidade de vozes e consolidar a literatura como um direito de todos. Queremos que o Flipoços seja lembrado como um espaço de encontro, pensamento e transformação e que jamais será esquecido pelas pessoas que tiveram o prazer de conhece-lo.  

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