Entrevistas

Brasil hora hora entrevista Rodrigo Naves músico de música cristã de Varginha em Minas Gerais

Em Varginha sua carreira é apreciada pela população que absorve suas músicas

O Brasil hora hora entrevista Rodrigo Naves, músico de música cristã de Varginha-MG, onde ele nos conta sobre sua vida em relação com a música, ensinamentos e aprendizagens que a música lhe dá. Rodrigo é professor, músico e ex-vereador de Varginha. Naves, é uma das grandes vozes na cultura varginhense em relação da música cristã com a comunidade, tendo várias músicas divulgadas pelo YouTube.

 

. Como começou sua caminhada na fé e de que forma ela se tornou central em sua vida pessoal e profissional?

Minha família sempre foi de muita religiosidade, minha mãe tinha essa missão de nos colocar no caminho de Deus

· Em que momento a música entrou como instrumento de evangelização na sua trajetória religiosa?

Eu conheci a religião aos 13 anos de idade, fiz um retiro de Carnaval que mudou toda minha rota. Apaixonei e me lancei ao mar pelas redes de Pedro o pscador

Logo que entrei para os grupos de jovens eu já tocava violão e conheci o OPA (oração pela arte – do Padre Irala)

· O senhor se define primeiro como professor, cantor ou evangelizador — ou acredita que essas dimensões caminham juntas?

Caminham juntas, totalmente entrelaçadas. O professor ensina, o cantor toca a sensibilidade, e o evangelizador dá sentido e direção no fundo, todos fazem a mesma coisa: comunicam vida, despertam consciência e semeiam esperança. Às vezes a sala de aula é uma igreja, às vezes o púlpito é uma canção, às vezes a evangelização acontece num simples gesto educativo. Não são papéis separados, são expressões diferentes de uma mesma missão.

· De que maneira a música católica pode tocar corações que, muitas vezes, não são alcançados apenas pela palavra falada?

A música chega onde a palavra, sozinha, nem sempre alcança. Ela atravessa defesas, silêncios e dores guardadas, porque fala direto ao coração, à memória e à emoção. Enquanto a palavra explica, a música faz sentir; enquanto o discurso convence, a melodia acolhe. Muitas pessoas que não se abrem a uma pregação se permitem ser tocadas por uma canção, porque nela não há imposição há encontro. A música católica evangeliza justamente assim: ela embala a fé, cura feridas invisíveis e cria um espaço onde Deus pode falar no íntimo de cada um.

· Quais experiências espirituais mais marcaram sua vida e influenciaram diretamente suas composições ou interpretações?

Foram, sobretudo, as experiências simples e profundas, vividas no chão da vida. Momentos de silêncio diante de Deus, quando não havia respostas prontas, só confiança. Encontros com pessoas feridas pela doença, pela exclusão, pela solidão que me ensinaram que a fé verdadeira não faz barulho, ela sustenta. A caminhada na Igreja, a oração que nasce da escuta, a contemplação da natureza como obra viva do Criador e também os tempos de dor pessoal moldaram minhas composições. Muitas músicas nascem não de uma ideia, mas de uma experiência: uma lágrima, um abraço, uma esperança que insistiu em ficar. Tudo isso vai virando canto, porque a música acaba sendo minha forma mais honesta de rezar e de agradecer.

· Como o senhor escolhe os temas que aborda em suas músicas e apresentações? Eles nascem mais da oração, da vivência cotidiana ou do contato com as pessoas?

Eles nascem do encontro entre essas três fontes. A oração abre o ouvido do coração, a vivência cotidiana dá carne e verdade ao que é rezado, e o contato com as pessoas revela as dores e esperanças que pedem voz. Muitas vezes um tema surge numa escuta atenta: uma conversa simples, um sofrimento partilhado, uma alegria discreta. Outras vezes brota no silêncio da oração, como um sopro. No fundo, escolho temas que precisam ser cantados, porque não são só meus são pedidos da vida, da fé e do povo que caminha comigo.

· Sendo professor, quais valores cristãos o senhor considera essenciais transmitir às novas gerações hoje?

Mais do que conteúdos, acredito que as novas gerações precisam experimentar valores vividos, não apenas ensinados. O primeiro é o amor que se traduz em respeito, especialmente pelo diferente. Depois, a verdade, não como rigidez, mas como coerência entre o que se diz e o que se vive. A solidariedade, num mundo muito individualista, é urgente aprender a cuidar do outro e da casa comum. Também considero essencial transmitir a esperança, mesmo em tempos difíceis, e o sentido de serviço, mostrando que conhecimento e talento só fazem sentido quando colocados a favor da vida. Por fim, a fé como caminho, não como imposição, mas como experiência que humaniza, liberta e ajuda o jovem a descobrir que ele tem valor, missão e responsabilidade no mundo.

· A música católica enfrenta desafios para alcançar o público jovem. Como o senhor enxerga esse cenário e que caminhos acredita serem possíveis?

É verdade, existem desafios, mas eles não são um bloqueio são um convite à escuta. O jovem de hoje não rejeita a fé; ele rejeita o que soa vazio, repetitivo ou distante da vida real. Quando a música católica se fecha em fórmulas, perde o diálogo. Quando ela se aproxima da linguagem, das dores, das perguntas e dos sonhos da juventude, ela volta a fazer sentido.

Os caminhos passam pela autenticidade, por letras que falem de vida concreta, por sonoridades que dialoguem com o tempo presente sem perder a essência, e por artistas que vivam aquilo que cantam. O jovem percebe rápido quando é verdade. Outro ponto fundamental é o testemunho: mais do que músicas “para jovens”, eles querem pessoas reais, coerentes e abertas ao encontro. A música católica alcança o jovem quando deixa de tentar convencê-lo e passa a caminhar com ele.

· Existe alguma canção sua — ou de outro artista católico — que represente bem sua missão de vida? Por quê?

Sim. Há canções minhas que nasceram exatamente desse lugar de missão, mas se eu tivesse que resumir em uma imagem sonora, diria que são aquelas que acolhem antes de explicar, que curam mais do que impressionam. Músicas que falam de esperança em tempos difíceis, do cuidado, da luz que insiste mesmo quando tudo parece escuro porque é assim que entendo minha vocação.

Entre outros artistas, canções que unem simplicidade, profundidade e verdade, sem espetáculo excessivo, sempre me representaram mais. Elas expressam uma fé que caminha com as pessoas, que não grita, mas permanece. Essa é a missão que tento viver: ser ponte, ser abrigo e lembrar, através da música, que Deus continua passando pela vida das pessoas de forma delicada e fiel.

· Como conciliar a rotina de professor com o ministério musical e a vida espiritual?

Não é uma divisão fácil, mas é uma integração possível quando se entende que tudo faz parte da mesma vocação. A rotina de professor ensina disciplina, escuta e responsabilidade; o ministério musical alimenta a sensibilidade e a missão; e a vida espiritual é o eixo que sustenta ambos. Quando a espiritualidade fica no centro, ela organiza o tempo e dá sentido ao cansaço.

Conciliar passa por priorizar o essencial, aceitar limites e transformar o cotidiano em oração: a sala de aula vira espaço de serviço, a música vira prece, e o silêncio vira descanso em Deus. Não é sobre fazer tudo o tempo todo, mas sobre viver cada coisa com presença, verdade e entrega. Quando há coerência interior, a vida deixa de ser fragmentada e passa a ser um único caminho de fé e serviço.

· Que ensinamento central o senhor deseja que as pessoas levem consigo após ouvir suas músicas ou participar de suas apresentações?

Que saiam com a certeza de que não estão sozinhas. Se minhas músicas e apresentações conseguirem deixar no coração das pessoas a sensação de acolhimento, de esperança renovada e de que Deus caminha com elas mesmo nas fragilidades, então a missão já se cumpriu. O ensinamento central é simples e profundo: a vida tem sentido, o amor sustenta e sempre é possível recomeçar. Que cada um volte para casa um pouco mais inteiro, mais humano e com coragem para seguir, confiando que a luz de Deus nunca abandona quem caminha com sinceridade.

· Em tempos de tantas incertezas e crises, qual é o papel da fé e da música cristã na construção da esperança?

Em tempos de crise, a fé não serve para negar a dor, mas para atravessá-la com sentido. Ela lembra que a história não termina no sofrimento e que Deus continua agindo, mesmo quando tudo parece frágil. A fé sustenta por dentro, quando as estruturas de fora desabam.

A música cristã, nesse contexto, é como uma lamparina acesa na noite: não elimina a escuridão de uma vez, mas permite dar o próximo passo. Ela consola, reúne, devolve humanidade e faz a esperança voltar a pulsar. Quando palavras já não bastam, o canto carrega a confiança de que a vida é maior que a crise. Assim, fé e música se tornam força silenciosa de reconstrução ajudando as pessoas a permanecerem de pé, com o coração aberto e o olhar voltado para o amanhã.

· O senhor acredita que a música pode ser uma forma de catequese? Como isso se manifesta na prática?

Acredito profundamente que sim. A música pode ser uma catequese viva, porque ela ensina não apenas conteúdos da fé, mas uma experiência de encontro com Deus. Diferente de uma aula formal, a canção catequiza pelo afeto, pela repetição que forma o coração e pela beleza que desperta o desejo de aprofundar a fé.

Na prática, isso acontece quando a música transmite valores do Evangelho amor, perdão, cuidado, esperança de forma acessível e verdadeira. Uma letra bem cantada pode ficar gravada na memória por anos e, nos momentos difíceis, voltar como oração. Assim, a música não substitui a catequese tradicional, mas a complementa, tornando a fé mais próxima, encarnada e vivida no cotidiano.

· Que mensagem deixaria para quem sente o chamado para evangelizar por meio da arte, mas ainda tem medo ou insegurança?

O medo e a insegurança não são sinais de incapacidade muitas vezes são sinais de responsabilidade e sensibilidade. Quem sente esse chamado já foi tocado por algo maior. A arte evangeliza quando nasce da verdade do coração, não da perfeição técnica. Deus não chama os prontos; Ele vai preparando no caminho.

O primeiro passo é simples: seja fiel ao que você é e ao que vive. Reze com a sua arte, ofereça-a como serviço, não como vitrine. Comece pequeno, com humildade e constância, e permita-se aprender. A evangelização pela arte acontece quando alguém se reconhece no que você expressa. Se houver amor, escuta e entrega, o resto se constrói. Confie: quando a arte é sincera, ela sempre encontra quem precisa ser alcançado.

· Para o futuro, quais sonhos o senhor ainda carrega em relação à música, à fé e à missão de ensinar?

Carrego sonhos simples, mas profundos. Na música, o sonho é continuar compondo canções que façam bem às pessoas músicas que abracem, curem, despertem silêncio interior e ajudem alguém a atravessar um momento difícil. Não busco grandeza, mas verdade: que cada canção continue sendo oração e serviço.

Na fé, o sonho é permanecer fiel ao essencial, com um coração cada vez mais livre, humilde e disponível. Crescer na escuta, aprofundar a espiritualidade e seguir caminhando com a Igreja, ajudando a construir pontes, não muros.

E na missão de ensinar, o maior sonho é formar pessoas inteiras, críticas, sensíveis e comprometidas com a vida e com o bem comum. Continuar sendo professor que educa para além do conteúdo, que inspira pelo exemplo e que acredita nas novas gerações. No fundo, o sonho é esse: seguir unindo música, fé e educação como um único caminho de cuidado, esperança e transformação.

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