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USP terá vestibular com leituras exclusivamente femininas pelo segundo ano consecutivo em 2027

Fundação divulgou o cronograma e a relação de obras para o próximo processo seletivo, mantendo o foco no protagonismo feminino na literatura.

A Fundação Universitária para o Vestibular divulgou nesta segunda-feira as datas e as diretrizes para o processo seletivo de ingresso na Universidade de São Paulo no ano de 2027. A instituição confirmou a manutenção de uma lista de leituras obrigatórias composta integralmente por escritoras mulheres, repetindo o modelo adotado para a edição de 2026. Essa configuração, que privilegia exclusivamente a produção literária feminina, deve permanecer vigente até o vestibular de 2028, seguindo o planejamento pedagógico da fundação para os próximos ciclos avaliativos. Entre os nomes selecionados para compor o repertório dos estudantes, figuram autoras consagradas como Clarice Lispector, Rachel de Queiroz e Conceição Evaristo, abrangendo diferentes períodos e estilos da língua portuguesa.

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A decisão de manter um catálogo exclusivamente feminino faz parte de uma iniciativa para ampliar a visibilidade de produções que historicamente ocuparam espaços reduzidos nos currículos acadêmicos. De acordo com a Fuvest, a escolha se justifica pela necessidade de “valorizar o papel das mulheres na literatura, não apenas como personagens mas como autoras”. O diretor-executivo da fundação, Gustavo Monaco, reforçou que a medida não representa uma negação da literatura produzida por homens, mas sim um esforço institucional. Segundo o dirigente, “trata-se, antes, de trazer a público e valorizar o que, muitas vezes, ainda não se conhece, e de destacar a importância das mulheres no cânone em diferentes períodos históricos”.

Critérios de seleção e obras incluídas no vestibular

Para o ciclo de 2027, a lista apresenta atualizações pontuais em relação ao ano anterior, com a entrada de novos títulos e a saída de outros. Foram incluídas as obras A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, e Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Em contrapartida, os livros As Meninas, de Lygia Fagundes Telles, e O Cristo Cigano, também de Sophia de Mello Breyner Andresen, deixaram a relação oficial. O conjunto final de leituras abrange desde textos do século XIX, como Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta, até produções contemporâneas, a exemplo de A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida, publicada em 2019, garantindo uma diversidade cronológica e geográfica que inclui autoras brasileiras, portuguesas e africanas.

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O cronograma estabelecido pela Fuvest orienta que os candidatos se preparem para um exame que exige análise crítica e compreensão profunda dessas narrativas. A lista completa para 2027 conta com nove títulos: Opúsculo Humanitário (Nísia Floresta), Nebulosas (Narcisa Amália), Memórias de Martha (Julia Lopes de Almeida), Caminho de pedras (Rachel de Queiroz), A paixão segundo G. H. (Clarice Lispector), Geografia (Sophia de Mello Breyner Andresen), Balada de amor ao vento (Paulina Chiziane), Canção para ninar menino grande (Conceição Evaristo) e A visão das plantas (Djaimilia Pereira de Almeida). A fundação projeta que essa imersão no universo feminino contribua para uma formação mais plural dos futuros ingressantes da USP.

Perspectivas para as futuras edições da Fuvest

Embora o foco atual permaneça nas escritoras, a fundação já sinalizou que o formato sofrerá novas alterações após o encerramento do ciclo atual. A partir do vestibular de 2029, a lista de leituras obrigatórias voltará a incluir autores do sexo masculino em sua composição. Para essa transição futura, já foram selecionados nomes como Machado de Assis, Érico Veríssimo e Luís Bernardo Honwana. Até que essa mudança ocorra, o processo seletivo continuará a testar o conhecimento dos estudantes sobre a trajetória das mulheres nas letras, consolidando um período de três anos de exclusividade feminina nas indicações literárias da maior universidade pública do país.

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