Saúde & Bem-estar

Parkinson pode afetar reconhecimento de emoções na voz, aponta estudo

Estudo revela que lado do cérebro atingido pela doença influencia a capacidade de interpretar sentimentos na fala

A doença de Parkinson, frequentemente associada a tremores e rigidez muscular, possui manifestações que vão além da coordenação motora, impactando também a percepção auditiva de sentimentos. Um estudo recente divulgado no periódico científico *Neurodegener Diseases* investigou como a condição neurodegenerativa interfere na habilidade de identificar emoções através da voz. A análise contou com a participação de 45 voluntários, divididos entre pacientes com diagnóstico recente, casos em estágio avançado e um grupo de controle saudável, buscando compreender a relação entre a assimetria dos sintomas cerebrais e essa limitação sensorial específica.

Os dados levantados pela investigação indicaram uma redução no desempenho da interpretação vocal emocional, especificamente em indivíduos que apresentam sintomas motores predominantes no lado esquerdo do corpo. A pesquisa sugeriu que, mesmo sob tratamento medicamentoso, esses pacientes enfrentam obstáculos maiores para processar nuances afetivas na fala alheia. O neurologista André Felicio, do Hospital Israelita Einstein, comentou sobre a gravidade dessa limitação conforme a progressão do quadro clínico: “Para quem tinha sintomas do lado esquerdo e com mais tempo de doença, foi pior ainda este reconhecimento”.

Influência da dopamina no cérebro

A pesquisa revelou um aspecto complexo sobre a terapia farmacológica, sugerindo que o local de início das manifestações clínicas influencia a eficácia das intervenções. Segundo a análise, o uso de substâncias para reposição de dopamina pode não ter o efeito desejado nesse aspecto para certos grupos. Felicio detalha essa relação paradoxal observada no estudo: “Além disso, as medicações que aumentam dopamina parecem piorar isso em quem tem sintomas do lado esquerdo, controlado pelo lado direito do cérebro.” O especialista complementa a análise afirmando que “A dificuldade em reconhecer o tom emocional na voz indica que a doença compromete áreas do cérebro responsáveis pela interpretação de sinais sociais e emocionais”.

O Parkinson decorre da degeneração celular que compromete a produção de dopamina, um neurotransmissor vital para a motricidade e funções cognitivas. Além dos sinais clássicos de lentidão e rigidez, o quadro clínico pode incluir alterações no olfato, constipação, distúrbios do sono e um quadro emocional delicado. A condição incide majoritariamente em homens acima de 60 anos, havendo correlação com histórico familiar ou exposição excessiva a agentes químicos, como agrotóxicos e solventes. As alterações na fala e na escuta identificadas no estudo podem atuar como marcadores importantes da evolução da patologia.

Novas tecnologias e tratamentos

Atualmente, diversas abordagens terapêuticas visam proporcionar bem-estar aos pacientes que convivem com a enfermidade. A Estimulação Cerebral Profunda (DBS), que utiliza eletrodos implantados, está acessível tanto na rede privada quanto no sistema público de saúde. Outras alternativas incluem a terapia de infusão dopaminérgica, aprovada nos Estados Unidos em 2024 mas ainda sob análise da Anvisa, e o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU). Esta tecnologia mais recente, disponível no Brasil desde 2025 em centro especializado, permite tratar tremores de forma não invasiva, direcionando ondas sonoras ao tálamo com auxílio de imagens, apresentando estimativa de melhora significativa nos sintomas.

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