Tensão na Europa: Ucrânia e UE boicotam cerimônia dos Jogos Paralímpicos
Decisão do comitê de permitir símbolos nacionais russos e bielorrussos motiva protesto de autoridades, mas atletas ucranianos mantêm participação
A confirmação de que a Rússia e Belarus participarão dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina utilizando seus símbolos nacionais desencadeou uma série de reações diplomáticas nesta quarta-feira. Representantes da União Europeia e do governo da Ucrânia anunciaram que não comparecerão aos eventos oficiais da competição, programada para março de 2026. A medida foi tomada em resposta à autorização concedida pelo Comitê Paralímpico Internacional para o uso de bandeiras e hinos dos dois países, uma diretriz que diverge das restrições aplicadas nos Jogos Olímpicos, onde a participação desses atletas ocorreu sob bandeira neutra.
O responsável pelo Esporte da União Europeia, o político maltês Glenn Micallef, utilizou as redes sociais para expressar seu descontentamento, afirmando que não pode apoiar o restabelecimento de uniformes e símbolos nacionais enquanto o conflito no leste europeu continuar. Micallef classificou como “inaceitável” o fato de atletas russos e bielorrussos terem sido convidados para o evento sem a necessidade de passar pelas provas classificatórias exigidas aos demais competidores, o que gerou críticas sobre a equidade do processo seletivo para o torneio na Itália.
Reações oficiais e propaganda
O ministro do Esporte da Ucrânia, Matvii Bidny, reforçou o posicionamento do bloco europeu e comunicou que as autoridades de seu país estarão ausentes da cerimônia de abertura e de outras solenidades. Bidny argumentou que a presença visual das nações vizinhas transforma o ambiente esportivo em um espaço de divulgação política inadequada. Segundo o ministro, “Dar-lhes uma plataforma significa dar voz à propaganda de guerra”. Ele também destacou que o esporte paralímpico na Rússia tem sido utilizado como pilar para indivíduos que retornaram do fronte com deficiências, criticando a associação do evento a regimes que desrespeitam a integridade internacional.
A diplomacia ucraniana ampliou o alcance do protesto, com o ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiga, instruindo embaixadores a encorajar outras nações a aderirem ao boicote institucional. A polêmica intensificou-se após a revelação de que o Comitê Paralímpico Internacional concedeu dez convites diretos, sendo seis para a Rússia e quatro para Belarus. Entre os convocados pela delegação russa estão atletas de alto rendimento, como o paraesquiador alpino Alexei Bugaev e a campeã mundial Varvara Voronchikhina, que poderão competir ostentando as cores de sua pátria.
Posição dos atletas e datas
Apesar da recusa das autoridades em participar dos eventos protocolares, a equipe de atletas da Ucrânia manterá sua presença nas disputas por medalhas. O presidente do Comitê Paralímpico Ucraniano, Valery Sushkevich, declarou estar “indignado” com a permissão dada aos rivais, mas rejeitou a ideia de retirar os competidores do torneio. Sushkevich avaliou que um boicote esportivo total poderia ser interpretado como uma “vitória russa” pelo presidente Vladimir Putin. A cerimônia de abertura dos Jogos ocorrerá em 6 de março, marcando um passo significativo na reintegração esportiva dos dois países sancionados desde 2022.



