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Cidades dos EUA rejeitam planos do governo Trump de usar galpões para deter imigrantes

População de Roxbury se mobiliza contra instalação do ICE em área logística; agência busca espaços para campanha de deportação

Moradores de Roxbury, um subúrbio localizado em Nova Jersey, nos Estados Unidos, expressaram forte oposição ao projeto de converter um amplo armazém logístico em uma unidade de custódia para imigrantes. A iniciativa integra a estratégia de deportações em massa impulsionada pela administração de Donald Trump, que busca adaptar centros de distribuição vazios para atender à crescente demanda por espaços de retenção. O local em questão possui cerca de 46.500 metros quadrados e conta com diversas docas para caminhões, características que atraíram a atenção das autoridades federais para a expansão da infraestrutura carcerária.

A resistência local é liderada por cidadãos que consideram a estrutura inadequada para abrigar pessoas, argumentando que a finalidade do edifício é estritamente comercial. William Angus, de 55 anos, organizou manifestações em frente ao prédio e destacou a natureza original da construção logística. “Isso é um armazém. Ele foi projetado para guardar pacotes e mercadorias, não seres humanos”, disse à AFP o líder do movimento. Embora o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) tenha adquirido ou alugado pelo menos oito instalações similares entre o Texas e a Pensilvânia, a pressão popular já forçou a agência a recuar em algumas localidades.

Rejeição popular e impacto político

Cerca de 500 indivíduos se reuniram ao longo das calçadas de Roxbury, uma região com baixos índices de criminalidade e que registrou vitória republicana nas eleições de 2024, na tentativa de dissuadir a instalação federal. Os participantes exibiram cartazes com frases como “Não somos uma cidade carcerária” e “ICE, fora do nosso bairro”. O clima de tensão é ampliado pela lembrança do falecimento de dois manifestantes em Minneapolis em janeiro, ocorrência que gerou comoção nacional e afetou a imagem da agência de imigração junto à opinião pública, resultando em perda de apoio segundo pesquisas recentes.

Dados apontam que o número de centros de detenção quase duplicou desde o início do segundo mandato presidencial em janeiro de 2025, saltando de 114 para 218 até o final de novembro. O Conselho de Imigração dos Estados Unidos documentou pelo menos 30 falecimentos de detidos em unidades do ICE no ano de 2025, além de relatar problemas de saúde e superlotação. Nayna Gupta, diretora de políticas da organização, criticou a abordagem governamental. “A administração Trump trata as pessoas como pacotes”, disse à AFP a representante da entidade, referindo-se à lógica logística aplicada à gestão migratória.

Limitações legais e receio da comunidade

Apesar da mobilização de democratas e republicanos contra essas instalações, a oposição local enfrenta barreiras legais para impedir que o ICE adquira propriedades privadas, restando apenas a pressão sobre os proprietários para que desistam do negócio. Além da presença da unidade prisional, os residentes temem que agentes de imigração passem a realizar operações de captura na vizinhança. Pablo Arceo, funcionário de um estabelecimento próximo, expressou sua inquietação com a possível intimidação. “É uma preocupação. Já tivemos policiais que aparecem por coisas menores e todo mundo fica nervoso”, afirmou o jovem de 20 anos.

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