Rússia classifica sanções dos EUA contra Cuba como inaceitáveis em reunião
Encontro em Moscou aborda crise de combustíveis na ilha; chanceler russo pede fim de cerco naval enquanto Washington mantém diálogo reservado
Vladimir Putin recebeu o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, no Kremlin nesta quarta-feira (18) para discutir o cenário geopolítico e a crise energética que afeta a ilha caribenha. Durante o encontro, o líder russo assegurou que Moscou oferecerá suporte para mitigar os efeitos do bloqueio petrolífero implementado pelos Estados Unidos em janeiro, medida adotada após a operação militar que resultou na queda do governo venezuelano. As agências estatais russas reportaram o posicionamento firme do presidente sobre as sanções recentes, que buscam pressionar a economia de Havana.
Ao comentar as medidas restritivas de Washington, Putin foi enfático em sua desaprovação. “Agora é um período especial, novas sanções. Você sabe o que pensamos sobre isso”, declarou o mandatário a Rodríguez, conforme registrado pela agência TASS, acrescentando: “Não aceitamos nada disso.” Além disso, o presidente ressaltou que a parceria bilateral segue “em uma trajetória positiva”. Paralelamente, o chanceler russo Sergei Lavrov informou que o Kremlin solicitará aos norte-americanos que evitem a imposição de um bloqueio naval total à nação caribenha.
Articulação nos bastidores
Enquanto a diplomacia pública ocorre em Moscou, movimentações discretas acontecem em outras frentes. O site Axios revelou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tem mantido interlocução direta com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-líder Raúl Castro. Essas conversas ocorrem em um momento crítico de escassez de combustível e interrupções frequentes no fornecimento de energia elétrica em Cuba. Rubio, que possui ascendência cubana, estaria centralizando esses contatos em meio à estratégia de pressão exercida pela Casa Branca.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou sua visão sobre a situação atual da ilha, classificando Cuba como uma “nação falida”. Apesar da retórica dura e da exigência de que Havana busque um acordo com Washington, o republicano descartou a realização de uma operação militar para depor o governo de Miguel Díaz-Canel. No início do mês, Trump já havia sinalizado que seu governo mantinha canais de comunicação abertos “no mais alto nível”, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre o teor das discussões ou os participantes envolvidos naquele momento.
Suporte estratégico confirmado
Diante do cenário de asfixia econômica, um diplomata russo de alto escalão confirmou na semana anterior que o país enviará auxílio para que Cuba consiga lidar com a tentativa norte-americana de barrar o fluxo de petróleo. O bloqueio atual é uma resposta direta aos eventos recentes na Venezuela. Em outra esfera diplomática, representantes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos finalizaram uma rodada de negociações de paz em Genebra, mas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, esclareceu que a questão cubana não fez parte da pauta discutida com a administração dos Estados Unidos nessa ocasião específica.



