Incertezas fazem a vida, ou parte dela?
Reflexão de como andamos em nossos caminhos pela vida
“Incertezas fazem parte da vida” dizem a boca de qualquer um. Qualquer um pode ter razão em alguma hora da vida, de um certo minuto, de um certo segundos. Incerto é o próximo passo que damos em direção ao futuro que escancara a porta. Incerto é o bebê que nasce, porque ele nasce morto na razão de ser alguém, no planejamento de que os pais querem que ele seja; imagine antigamente quando se nascia mulher no século 19! Nascia com a marca da fêmea, passaria da menarca para o casamento bem rápido, e cadê o livre arbítrio?
Ser mulher antigamente era ser apenas uma coisa para procriar, cuidar da casa e ser saco de pancadas de bofetões, e de palavras ríspidas. Mas, e se a mulher fugisse, fizesse faculdade e tivesse emprego; usasse calças e mais e mais? Seria tida como incerta para um bom casamento!
Mas o que vale se casar se a certeza era a vida pior que a morte?
Hoje a incerteza está concentrada no emprego, vida emocional, relacionamento afetivo e vida financeira. Se tem um, falta o outro. Se tem nenhum, não falta opiniões e dedos em apontamentos para infernizar a vida e dar pensamentos ruins, desde a frustração ao desespero de se matar.
Vi nesses dias que no Japão quarenta mil idosos foram encontrados mortos em casa, depois de dias e semanas, e ninguém se deu conta deles. Essas pessoas são parte da vida incerta que deu errado em algum ponto. Mas, o que será que deu errado? A pessoa? Ou a sociedade?
Não podemos deixar de refletir que as pessoas que vivem na incerteza são mais frequentes ao isolamento. Isolar é a vida no ciclo de incertezas que é uma rotina sem conversar o que quer ser conversado, e fica no silêncio sepulcral em que a pessoa não vive um dia de cada vez, mas sim, uma vida em turbilhões em minutos.
Cair na incerteza é não saber qual caminho ir. É cair no buraco sem ter alguém para ajudar…. O que fazer? Não adianta ser o cara que tenta ter tudo no controle do lápis, um dia o apontador some e tem que usar outras táticas para se manter em pé.
Sentado com meus botões, penso que a incerteza é a sensação de vômito que temos; aquela que amarga a boca e faz a barriga doer. Precisamos de um remédio. Qual seria?
Que tal trocar os momentos de incerteza para algo que acalme a mente? Uma visita ao museu; uma aula de culinária; escrever poesia; desenhar; ser voluntário em abrigos etc.
Consumir somente a pornografia das mídias, ser quem não é, é suicídio e acalmar a mente é fundamental sem precisar se cortar com afirmações que não existem… O emprego perfeito não existe, como também o corpo perfeito não existe.
Saia das incertezas sendo verdadeiro você!
Não chore por coisas banais. Chore por coisas grandes como nascimento de filhos, ou triste como a morte de quem amou; mas, não perca tempo com buracos e tape eles quando ver o que são de verdade.
Gustavo Marangão, jornalista, poeta, escritor com mais de seis livros lançados. Ganhador de honra ao mérito em jornalismo. Ganhador de moção de aplausos da câmara de Varginha-MG. Dono do jornal Brasil hora hora.




