Saúde & Bem-estar

Você já passou do auge? Estudo mostra quando o corpo começa a perder força

Análise de quase cinco décadas aponta diferenças entre gêneros e destaca importância de manter rotina ativa para retardar perda muscular

Um extenso levantamento realizado na Suécia acompanhou centenas de indivíduos ao longo de quase cinco décadas para determinar o momento exato em que o corpo humano atinge seu auge e quando se inicia a perda de condicionamento. Integrante do Swedish Physical Activity and Fitness Study (SPAF), a investigação monitorou 222 homens e 205 mulheres em cinco etapas distintas da vida, especificamente aos 16, 27, 34, 52 e 63 anos. O objetivo central foi compreender a evolução da sarcopenia, processo natural de perda de massa muscular, analisando três pilares fundamentais do funcionamento corporal: capacidade aeróbica, resistência e potência muscular ao longo do envelhecimento.

Para obter dados precisos sobre a fisiologia dos participantes, os voluntários foram submetidos a testes padronizados em cada fase do estudo. As avaliações incluíram exercícios em bicicletas ergométricas para medir o fôlego, séries de supino para verificar a resistência e saltos verticais para avaliar a força explosiva. As conclusões indicam que a maioria das variáveis de desempenho alcança o nível máximo ainda durante a vida adulta, antes de iniciar uma trajetória de queda. Nos homens, a capacidade aeróbica e a resistência muscular atingem o teto por volta dos 36 anos, enquanto a potência muscular tem seu ápice mais cedo, perto dos 27 anos.

Diferenças entre gêneros e aceleração da perda

O cenário observado entre as participantes do sexo feminino apresenta similaridades, mas com distinções importantes no cronograma biológico. Enquanto a capacidade aeróbica feminina também chega ao máximo aos 36 anos e a resistência aos 34, a potência muscular atinge seu ponto alto precocemente, aos 19 anos. Após esses marcos, o estudo identificou que a redução da aptidão física ocorre de maneira progressiva. Inicialmente, a perda varia entre 0,3% e 0,6% ao ano, mas esse ritmo se intensifica a partir da meia-idade, podendo superar 2% anualmente. Fatores hormonais, como a menopausa e a queda de estrogênio, influenciam diretamente essa curva nas mulheres.

Ao final do período de monitoramento, quando os voluntários completaram 63 anos, foi possível mensurar o impacto acumulado do tempo. Os homens registraram uma diminuição entre 30% e 41% na capacidade física total, enquanto as mulheres apresentaram quedas de 30% na capacidade aeróbica e até 48% na potência muscular. Um dado relevante apontado pelos pesquisadores é a disparidade de desempenho na terceira idade: a diferença entre os indivíduos mais condicionados e os mais fracos tornou-se 25 vezes maior do que a observada na adolescência, evidenciando o papel crucial do estilo de vida na preservação da mobilidade e independência.

Importância da atividade física contínua

A análise demonstrou que, embora atletas de elite sigam o mesmo padrão de declínio da população geral após os 35 anos, eles chegam à terceira idade com reservas funcionais muito superiores, mantendo mais de 80% da resistência máxima. Isso reforça que a construção da sarcopenia é um processo lento e contínuo, combatido principalmente através da manutenção de hábitos saudáveis. Sobre os resultados, a autora principal da pesquisa, Maria Westerstahl, afirmou: “Nosso estudo mostra que a atividade física pode desacelerar o declínio do desempenho, mesmo que não seja possível impedi-lo completamente”.

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