Vai operar no verão? Descubra o erro comum que pode arruinar sua cirurgia
Procura por intervenções cresce 30% na estação; médico detalha protocolos de proteção antes e depois da operação para evitar manchas e cicatrizes
A chegada do verão marca um período de alta demanda nos consultórios médicos, impulsionada pelo desejo dos pacientes de aproveitar as férias para a recuperação pós-operatória. Segundo Ricardo Cavalcanti, cirurgião plástico e coordenador do Departamento de Cirurgia Estética e Reconstrutiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a procura por procedimentos cirúrgicos registra um aumento de aproximadamente 30% nesta época do ano. Contudo, a estação exige cautela, uma vez que a incidência intensa de raios solares pode comprometer o resultado estético, favorecendo o surgimento de manchas permanentes e prejudicando o processo natural de regeneração dos tecidos.
Para garantir a segurança do procedimento, os cuidados devem começar semanas antes da data agendada para a operação. A recomendação médica estipula que o paciente evite o bronzeamento e a exposição prolongada ao sol intenso por, pelo menos, 30 dias antes da cirurgia. A aplicação diária de filtro solar com fator de proteção (FPS) 50 ou superior é indispensável, inclusive em dias nublados, para manter a integridade da pele. Caso a exposição ao ar livre seja inevitável, os horários considerados mais seguros para a saúde dermatológica restringem-se ao início da manhã, entre 7h e 9h, e ao final da tarde, das 15h às 16h.
Riscos da radiação na cicatrização
A preocupação central com a radiação ultravioleta reside na sua capacidade de alterar a resposta inflamatória do organismo. A pele que sofreu agressão solar prévia apresenta maiores dificuldades durante a recuperação, o que pode levar a complicações estéticas indesejadas. O especialista reforça a necessidade de vigilância constante ao explicar que **”A pele sensibilizada pelo sol tende a cicatrizar pior, aumentando o risco de inflamações e marcas aparentes”**. Por essa razão, a fotoproteção deve ser mantida rigorosamente mesmo em ambientes internos após o procedimento, visando minimizar qualquer interferência externa na área operada.
O protocolo pós-operatório exige um afastamento prolongado da radiação solar direta para assegurar a qualidade da cicatrização. A orientação geral indica um período mínimo de três meses sem exposição ao sol forte, prazo que pode se estender para até um ano em regiões do corpo mais visíveis, como face, abdômen e mamas. O retorno a ambientes de lazer, como praias e piscinas, depende exclusivamente de liberação médica, ocorrendo geralmente entre 30 e 60 dias após a intervenção. Mesmo quando autorizado, o contato com o sol deve ser breve, fora dos horários de pico e com barreiras de proteção reforçadas.
Estratégias e acessórios de proteção
Além do uso contínuo de filtros solares químicos, a recuperação segura envolve a utilização de barreiras físicas e coadjuvantes no tratamento das incisões. Recomenda-se o investimento em chapéus de abas largas que possuam certificação de proteção contra raios UVA e UVB. Para auxiliar na maturação das marcas cirúrgicas e protegê-las, recursos adicionais são frequentemente prescritos. Conforme pontua Cavalcanti, **”Dependendo do caso, eu indico o uso de fitas ou gel de silicone sobre as cicatrizes.”** Seguir essas diretrizes constitui um investimento essencial na saúde do paciente e na preservação dos resultados obtidos com a cirurgia plástica.



