Saúde & Bem-estar

Fibrilação atrial: casos aumentam 137% e médicos alertam para risco de AVC

Condição é a mais comum no mundo e exige diagnóstico rápido para evitar coágulos e acidente vascular cerebral

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) divulgaram um documento conjunto com o objetivo de conscientizar a população e a classe médica sobre a fibrilação atrial. Esta condição consolidou-se como a arritmia cardíaca mais frequente em escala global, registrando um aumento expressivo nas últimas décadas. Dados epidemiológicos apontam que, em 2021, cerca de 52,5 milhões de pessoas conviviam com essa anormalidade ao redor do mundo, o que representa um crescimento de 137% em relação aos números de 1990. O cenário é impulsionado pelo envelhecimento da população e pela maior prevalência de fatores de risco, exigindo vigilância contínua.

Na fibrilação atrial, as câmaras superiores do coração perdem a capacidade de bater de forma organizada, assumindo um movimento ineficiente descrito como um “tremor”. Essa irregularidade compromete o fluxo sanguíneo adequado, favorecendo o acúmulo de sangue e a consequente formação de trombos no interior do órgão. O deslocamento desses coágulos para o cérebro pode desencadear um acidente vascular cerebral (AVC), evento que figura entre as principais causas de falecimento e incapacidade no Brasil. O reconhecimento precoce da arritmia e a intervenção terapêutica correta são fundamentais para reduzir drasticamente a probabilidade desse desfecho grave.

Fatores de risco e estilo de vida

O desenvolvimento da doença está associado a elementos intrínsecos, como idade avançada e predisposição genética, somados a comorbidades como hipertensão, diabetes e disfunções da tireoide. No entanto, o estilo de vida desempenha um papel determinante: obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e má qualidade do sono, incluindo a apneia obstrutiva, criam um ambiente propício para o surgimento do problema. Especialistas reforçam que a adoção de hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas e o controle de peso, vai muito além da busca por “bem-estar”, configurando-se como uma estratégia real de prevenção contra arritmias cardíacas.

A apresentação clínica da fibrilação atrial é bastante variada, o que dificulta o diagnóstico em muitos casos. Enquanto alguns pacientes relatam sintomas claros como falta de ar, tontura e a sensação de coração “descompassado”, outros permanecem totalmente assintomáticos. Essa natureza silenciosa é preocupante, pois o risco de AVC e outras complicações vasculares permanece elevado mesmo na ausência de sinais físicos perceptíveis. O diagnóstico tradicional é realizado por meio do eletrocardiograma, mas o uso crescente de smartwatches tem auxiliado na detecção de irregularidades transitórias que poderiam passar despercebidas em exames de rotina.

Abordagem terapêutica e controle

O tratamento da fibrilação atrial baseia-se em três pilares essenciais definidos após avaliação médica criteriosa. A prioridade inicial envolve a prevenção de eventos tromboembólicos, geralmente através da prescrição de anticoagulantes que impedem a formação de coágulos. Simultaneamente, busca-se o controle rigoroso das doenças associadas e a restauração do ritmo cardíaco normal, seja por meio de medicamentos específicos ou procedimentos como a ablação. A estratégia deve ser personalizada para cada indivíduo, transformando a arritmia em uma condição passível de controle e preservando a qualidade de vida do paciente.

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