Tarifaço dos EUA ameaça empresas brasileiras e governo prepara resposta
Medida norte-americana taxa produtos nacionais em 25% a partir de julho e atinge diretamente setores como madeira, calçados e equipamentos elétricos.
O governo federal anunciou apoio aos setores empresariais impactados pelo tarifaço dos EUA. A decisão ocorre após o órgão comercial norte-americano confirmar uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A medida foi justificada por Washington sob a alegação de práticas comerciais desleais, argumento que a gestão nacional rejeita.
As áreas prejudicadas incluem madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar. O governo oferecerá crédito para capital de giro e auxílio no redirecionamento de mercadorias. Estimativas apontam que 2,4 mil empresas serão afetadas, o equivalente a 18% das exportações para o mercado estadunidense.
Impacto do tarifaço dos EUA e a lei da reciprocidade no Brasil
A gestão nacional organiza respostas à sanção. O ministro Márcio Elias Rosa declarou: “O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”. O vice-presidente Geraldo Alckmin indicou uma possível retaliação: “Nós temos uma lei, a lei da reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, garantiu a estabilidade macroeconômica, mas criticou a ação estrangeira. Ele afirmou: “É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”. O socorro atual terá montantes menores que os do ano passado.
Justificativas de Donald Trump e a defesa do sistema Pix
A investigação estrangeira listou infrações como “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”. Sobre as críticas ao Banco Central, Gabriel Galípolo rebateu: “Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse argumento, nem ele se comprovou verdade. Analisando o que aconteceu efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%. Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos”.



