Brasil

Estudo da USP revela que grávidas têm 94% mais risco de sofrer violência psicológica

Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP indica que baixa escolaridade e renda familiar reduzida agravam abusos emocionais no período pós-parto

Mulheres gestantes ou no pós-parto têm 94% mais probabilidade de sofrer violência psicológica na gravidez por parte de seus parceiros. O dado é de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), publicado no periódico científico Journal of Interpersonal Violence. A pesquisa comparou a realidade dessas mulheres com a daquelas que não têm filhos, evidenciando uma alta vulnerabilidade durante a fase de transição para a maternidade.

Publicidade

O levantamento utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram analisadas as respostas de 26.006 brasileiras com idades entre 18 e 49 anos. A taxa geral de abusos emocionais na população avaliada foi de 7,9%. Já as agressões físicas ou sexuais somaram 3,6%, sem diferenças estatísticas significativas entre os períodos de gestação, pós-parto e o restante da vida reprodutiva.

Impactos da violência psicológica na gravidez segundo a USP

Os comportamentos abusivos mapeados incluem xingamentos, humilhações públicas, destruição de objetos pessoais e ameaças. Tais agressões verbais e emocionais geram consequências severas e duradouras. O ambiente hostil prejudica o desenvolvimento do feto, podendo ocasionar partos prematuros. Além disso, a vítima fica mais suscetível a desenvolver um quadro emocional delicado após o nascimento do bebê e a apresentar ideação de tirar a própria vida.

Publicidade

Fatores socioeconômicos também aumentam a exposição aos abusos, segundo o levantamento. Mulheres com baixa escolaridade e renda familiar per capita de até meio salário mínimo apresentaram os maiores índices de violência. O pesquisador Alexandre Faisal Cury, primeiro autor do artigo, alerta para a gravidade do cenário. “Nossos resultados mostram que é crucial abordar a violência por parceiro íntimo como um problema de saúde pública, especialmente entre populações vulneráveis”, afirma.

Prevenção aos abusos emocionais e recomendações de Alexandre Faisal Cury

Com base nas estatísticas, os pesquisadores defendem o fortalecimento de estratégias de prevenção no período perinatal, englobando o pré-natal e o acompanhamento pediátrico. A indicação central é capacitar os profissionais de saúde para identificar sinais de abusos precocemente, oferecendo suporte antes que a situação evolua. “A alta prevalência de violência psicológica por parceiro íntimo entre mulheres em idade reprodutiva sugere a necessidade de triagem rotineira em serviços de saúde e de intervenções que atendam às necessidades de populações diversas, incluindo mulheres de baixa renda e indígenas”, reforça o acadêmico.

Publicidade

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo