Política

Milhões em jogo: governo Tarcísio assina acordo com distribuidora na mira de operação contra o PCC

Rede Sol Fuel Distribuidora acumulou acordos com a gestão estadual paulista mesmo após deflagração de inquérito sobre lavagem de dinheiro

A gestão do governo Tarcísio formalizou acordos comerciais com a Rede Sol Fuel Distribuidora, corporação que atualmente é alvo da Operação Carbono Oculto devido a supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O vínculo mais recente ocorreu em agosto de 2025, por meio da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), período em que as investigações sobre a companhia já eram de conhecimento público. A distribuidora atua no fornecimento de combustíveis para diferentes setores da administração estadual paulista.

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Um levantamento de dados demonstrou que a empresa acumulou aproximadamente R$ 66,8 milhões em negociações e aditivos com o Estado entre os anos de 2023 e 2025. O maior montante refere-se a um acordo firmado em fevereiro de 2024 com o Departamento Hidroviário, destinado à compra de diesel marítimo para travessias litorâneas, cujo valor ultrapassou R$ 66,6 milhões após reajustes. Além disso, instituições como a Polícia Militar, o Instituto de Zootecnia e o Hospital Guilherme Álvaro também registraram aquisições junto à mesma fornecedora.

Contratos do governo Tarcísio com a Rede Sol Fuel investigada

A Operação Carbono Oculto, conduzida pela Receita Federal, apura um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que utilizaria fundos de investimento e fintechs para ocultar patrimônio. O Ministério Público de São Paulo aponta que notas comerciais da distribuidora teriam sido compradas pelo Mabruk II Fundo de Investimento, movimentando cerca de R$ 30 milhões. Os investigadores suspeitam que recursos de origem ilícita da facção criminosa circulem no mercado formal por meio dessas operações financeiras.

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Em resposta às suspeitas levantadas pelas autoridades, a Rede Sol Fuel Distribuidora emitiu uma nota oficial negando qualquer tipo de relação financeira, econômica ou negocial com o fundo Mabruk II ou com outras instituições citadas no inquérito. A corporação também rejeitou a existência de vínculos com organizações criminosas. Apesar do posicionamento da defesa, a operação segue em andamento e a fornecedora de combustíveis continua figurando na lista de empresas investigadas pelos órgãos de controle.

Operação Carbono Oculto apura elo entre PCC e mercado de combustíveis

Os editais de licitação do Estado, incluindo os da CPTM, exigem declarações de integridade das empresas participantes, atestando a ausência de impedimentos legais para contratação pública. Mesmo com o avanço das apurações, a Secretaria de Meio Ambiente designou fiscais para a execução do contrato no Departamento Hidroviário em julho de 2025, indicando a continuidade das operações. Até o momento, o Palácio dos Bandeirantes não emitiu um pronunciamento oficial sobre a manutenção dos vínculos comerciais com a distribuidora ou sobre uma eventual revisão das cláusulas de conformidade.

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