Reviravolta no caso PM Gisele: tenente-coronel fica frente a frente com testemunhas
Justiça ouve 42 testemunhas para decidir se o oficial da Polícia Militar será julgado pelo crime contra mulher ocorrido no centro da capital
A Justiça de São Paulo inicia nesta segunda-feira as audiências de instrução que determinarão se o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto enfrentará o Tribunal do Júri. O oficial é acusado de envolvimento no falecimento de sua esposa, a PM Gisele Alves Santana, atingida por um disparo na cabeça. O cronograma judicial se estende até o dia 3 de julho, data reservada para o interrogatório do réu, encerrando esta etapa processual decisiva.
Durante os cinco dias de oitivas, o tribunal ouvirá 42 testemunhas convocadas tanto pela acusação quanto pela defesa. A lista do primeiro dia inclui sete depoentes fundamentais para a investigação, como o delegado responsável, peritos criminais, policiais militares que atenderam a ocorrência inicial e uma vizinha do casal. O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, contatado pelo réu logo após o disparo, foi dispensado dos depoimentos por consenso entre as partes jurídicas.
Investigação sobre o falecimento da PM Gisele em São Paulo
O incidente ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal residia, localizado no bairro do Brás, região central da capital paulista. A policial foi encontrada com ferimentos graves e transportada pelo helicóptero Águia até o Hospital das Clínicas, onde faleceu horas depois devido a um traumatismo cranioencefálico. Nos primeiros momentos, o registro policial indicava que a vítima tirou a própria vida, hipótese que guiou as diligências iniciais no local.
O rumo das apurações mudou quando o status do boletim foi alterado para ocorrência suspeita, apontando uma “dúvida razoável” sobre a versão original. A Polícia Civil realizou a reconstituição dos fatos no imóvel e, com o avanço das análises periciais, concluiu que a dinâmica do tiro não era compatível com a tese de que a mulher tirou a própria vida. Diante dos laudos técnicos, os investigadores apontaram o marido como o principal suspeito do crime contra mulher.
Prisão do tenente-coronel Geraldo Neto no Vale do Paraíba
Com base no conjunto probatório reunido pela perícia, a Polícia Civil solicitou a detenção do oficial em 17 de março. A Justiça Militar do Estado de São Paulo acatou o pedido e expediu o mandado de prisão preventiva contra o tenente-coronel. A captura ocorreu no dia seguinte, dentro de um condomínio residencial situado na cidade de São José dos Campos. Agora, o resultado das audiências em curso definirá o futuro legal do acusado e os próximos passos do processo criminal.



