Mulher trans assume identidade aos 48 anos após casamento de quase três décadas
Patty Sweet reprimiu sua identidade de gênero desde a infância e iniciou o processo de transição após o término do relacionamento em 2024
A brasileira Patty Sweet passou por um processo de autodescoberta aos 48 anos, quando se reconheceu como uma mulher trans. Antes de assumir sua identidade de gênero, ela vivenciou um casamento de 28 anos, relação da qual nasceram dois filhos. A separação ocorreu em abril de 2024 por motivos cotidianos, sem ligação com a transição, permitindo que ela explorasse sentimentos guardados por décadas.
Durante a juventude, ela enfrentou preconceitos no ambiente escolar. “Desde criança, eu sabia que havia algo diferente em mim, mas não sabia explicar exatamente o que era”, relata. A atração por elementos femininos gerava retaliações. “Gostava de vestidos, salto alto, maquiagens e tudo aquilo que me conectava ao universo feminino. Por isso, virei alvo de apelidos e julgamentos. Na escola, eu era ‘o viadinho’ da turma.”
A vida dupla de Patty Sweet antes de se assumir mulher trans
Na fase adulta, ela construiu uma rotina familiar padrão, mas a inadequação persistia. “Trabalhávamos, criávamos nossos filhos e seguíamos a rotina que a sociedade espera de uma família tradicional. Mas a verdade é que, ao longo dos anos, eu me sentia cada vez mais distante de mim mesma.” Em momentos solitários, ela experimentava roupas. “Durante anos, eu me montava escondida. Comprava roupas femininas, me maquiava e vivia aqueles momentos em segredo. Pensava que aquilo tinha mais relação com fantasia do que com identidade. Achava que era uma válvula de escape.”
A percepção de que o hábito não era um fetiche veio acompanhada de angústia ao retornar à aparência masculina. “Nunca imaginei que pudesse ser algo relacionado à minha identidade. Mas, quando eu precisava me ‘desmontar’, sentia uma tristeza enorme, eu queria que as pessoas me vissem daquele jeito.” Foi apenas morando sozinha, após o divórcio, que o cenário mudou.
O encontro que marcou a transição de gênero de Patty Sweet
O ponto de virada aconteceu durante um encontro agendado por um aplicativo. Com receio, ela se vestiu com roupas femininas dentro do carro. “Mandei mensagem dizendo que só sairia quando ela [a pessoa com quem se encontraria] aparecesse, para ter certeza de que estava segura. Mas bastaram poucos minutos naquela experiência para que algo dentro de mim mudasse.” A partir dali, a brasileira compreendeu sua realidade. “Aquele encontro foi marcante. Pela primeira vez, eu me senti viva e a alegria tomou conta de mim.”



