DNA ou treino? O segredo por trás do talento de Lionel Messi que a ciência finalmente revelou
Pesquisas médicas indicam que o DNA pode definir até 80% do desempenho físico, mas fatores psicológicos e rotina de treinos são determinantes.
O talento de Lionel Messi nos gramados levanta debates contínuos sobre a origem de sua habilidade esportiva, especialmente após atuações decisivas, como a partida entre Argentina e Áustria, onde marcou dois gols. Acadêmicos das áreas de neurociência e biologia investigam se a excelência de atletas de alto rendimento deriva de uma predisposição natural, de uma rotina rigorosa de treinamentos ou da intersecção entre essas duas variáveis. A busca por respostas envolve a análise de fatores ambientais, escolhas de estilo de vida e a estrutura do DNA humano.
Pesquisas publicadas em periódicos científicos, incluindo o Journal of Applied Physiology e a Sports Medicine – Open, indicam que o código genético afeta diretamente a capacidade atlética. A ciência demonstra que o DNA pode explicar entre 30% e 80% das variações de desempenho físico, dependendo da modalidade e de elementos específicos como velocidade, força e resistência. Características fisiológicas, como o metabolismo, o tamanho dos músculos e a composição corporal, apresentam forte ligação com a herança biológica do indivíduo.
A influência do DNA no desempenho de Lionel Messi
A médica do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Austral, Eliana Carla Filosa, relata que certos indivíduos nascem com traços metabólicos que favorecem a execução de atividades motoras. Segundo a especialista, “A genética pode até influenciar a forma como o corpo responde ao exercício aeróbico e anaeróbico , bem como a sua capacidade de se adaptar a cargas de treino repetidas”. Esse fator biológico justifica o motivo pelo qual alguns esportistas conseguem evoluir de maneira mais acelerada em determinadas modalidades.
O mapeamento de “marcadores genéticos” permite identificar elementos do código celular que aparecem com maior frequência em esportistas de elite. Entre os genes mapeados, a proteína alfa-actinina-3 (ACTN3) está associada à potência muscular e ao funcionamento das fibras de contração rápida. Já as variantes do gene ACE regulam a pressão arterial e influenciam a resistência aeróbica, enquanto o gene IL6 atua no controle da inflamação, modificando o tempo necessário para a recuperação física após exercícios de alta intensidade.
Fatores além da genética na carreira de atletas
Apesar da relevância biológica comprovada cientificamente, a estrutura genética não atua de forma isolada na construção de um esportista profissional. A identificação precoce de aptidões facilita a adaptação de dietas e a prevenção de lesões, mas o sucesso em competições exige a integração de outras variáveis fundamentais. Elementos como a disciplina diária, o contexto cultural em que o indivíduo está inserido e a preparação psicológica formam a base complementar necessária para atingir o topo do rendimento esportivo.



