Fraude milionária: PF bloqueia R$ 670 milhões e mira banco de Edir Macedo
Operação Miragem investiga manipulação de balanços no banco Digimais para ocultar situação financeira da instituição
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira a Operação Miragem, com o objetivo de investigar um suposto esquema de fraudes financeiras no banco Digimais, instituição controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo. A ação mobilizou mais de 50 agentes na cidade de São Paulo para o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Como parte das medidas cautelares, a Justiça Federal determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, além de autorizar o bloqueio de bens e valores que podem chegar ao montante de R$ 670,3 milhões.
O inquérito conduzido pelas autoridades teve início a partir de relatórios elaborados pelo Banco Central, os quais indicaram a presença de irregularidades severas na administração da entidade financeira. O foco principal das apurações é compreender a conduta dos gestores do banco de Edir Macedo e confirmar a existência de manobras contábeis estruturadas para camuflar a verdadeira situação patrimonial da empresa. Os investigadores buscam entender como o esquema operava internamente para enganar os órgãos de fiscalização do sistema financeiro nacional.
Investigação da Polícia Federal sobre o banco Digimais de Edir Macedo
De acordo com os levantamentos da corporação, os suspeitos teriam adulterado demonstrações contábeis e balanços oficiais para esconder a real condição econômica da instituição, criando uma falsa percepção de liquidez e solvência no mercado. As práticas sob escrutínio englobam a superavaliação de ativos financeiros e o registro artificial de receitas, manobras que, em conjunto, movimentariam centenas de milhões de reais. Além disso, a apuração analisa transações financeiras supostamente irregulares que teriam sido executadas para favorecer a empresa controladora do banco.
Outra vertente da investigação foca na possível inserção de dados manipulados ou inverídicos nos sistemas de controle utilizados pelo órgão regulador do setor. Dependendo do avanço das diligências e da comprovação da responsabilidade de cada indivíduo, os alvos da operação poderão ser indiciados por infrações previstas na Lei nº 7.492/1986. Entre os delitos apurados estão a gestão fraudulenta de instituição financeira, a inclusão de informações falsas em documentos contábeis e a execução de operações de crédito proibidas pela legislação vigente.
Próximos passos da operação contra o banco de Edir Macedo
Até o presente momento, a Polícia Federal não forneceu um balanço detalhado a respeito dos materiais, documentos ou dispositivos eletrônicos recolhidos durante as buscas realizadas nos endereços ligados ao banco Digimais. A corporação também não confirmou se houve a expedição ou o cumprimento de mandados de prisão no âmbito da Operação Miragem. O material apreendido passará por perícia técnica para subsidiar as próximas fases do inquérito e mapear a extensão das fraudes no sistema financeiro.



