Brasil

Ligue 180 é atualizado após casos de violência digital subirem 188% no Brasil

Ministério das Mulheres capacita atendentes para lidar com deepfakes, stalking e invasão de contas virtuais

A Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, passou por reformulação após o registro de um aumento expressivo nos episódios de violência digital. Nos primeiros cinco meses de 2026, foram contabilizados 16.725 casos no ambiente virtual, um salto de 188% em relação ao mesmo período do ano anterior, que teve 5.795 ocorrências. Os dados mostram que o total de denúncias formalizadas chegou a 2.281 neste ano, superando as 1.494 registradas no ano passado.

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O Ministério das Mulheres aponta que o crescimento estatístico está relacionado ao aprimoramento dos mecanismos de notificação, reduzindo a subnotificação histórica. Com a mudança no protocolo, uma única denúncia pode englobar múltiplas violações. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, explicou a necessidade de mapear o cenário. “Ter os dados da realidade é muito importante. A gente só vai acertar nas respostas pelos governos, pelas políticas públicas, quando a gente tiver mais realismo nas informações”, declarou.

Mudanças no Ligue 180 para combater a violência digital

Para lidar com o volume de registros, o governo federal implementou uma atualização estrutural na central telefônica, com foco no suporte especializado. A iniciativa engloba um treinamento para as profissionais que realizam o atendimento, visando melhorar a capacidade de reconhecimento, acolhimento e orientação. O novo formato de registro entrou em operação no dia 9 de junho, permitindo um detalhamento maior das informações repassadas.

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O ambiente cibernético tem sido utilizado para diversas práticas ilícitas, exigindo adaptação das ferramentas estatais de proteção. Entre as infrações mais comuns identificadas pelos canais de apoio estão as ameaças diretas, a perseguição virtual, conhecida como stalking, e a invasão de contas. O sistema também está preparado para receber relatos sobre chantagem e a divulgação não autorizada de imagens de caráter íntimo.

Uso de inteligência artificial em crimes contra a mulher

Além das infrações convencionais adaptadas para a internet, a central passou a monitorar o uso de novas tecnologias para a prática de delitos. O protocolo atualizado inclui o registro de casos envolvendo a utilização de inteligência artificial para a criação de deepfakes, que consistem em montagens audiovisuais feitas sem consentimento. A reestruturação da plataforma busca garantir que as modalidades de agressão cibernética sejam documentadas.

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