Tensão na família: a exigência de Michelle Bolsonaro que travou a campanha de Flávio
Ex-primeira-dama pede que enteados se retratem nas redes sociais para mobilizar eleitorado feminino no pleito
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro estabeleceu uma condição para integrar a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Diante do baixo desempenho do parlamentar entre o eleitorado feminino, a presidente do PL Mulher exige uma retratação pública nas redes sociais por parte dos enteados. O distanciamento entre os familiares ocorreu após o ex-presidente Jair Bolsonaro definir o filho como candidato, preterindo a esposa, que articulava uma vaga de vice na chapa de Tarcísio Gomes de Freitas.
O atrito público mais recente aconteceu quando o senador criticou a postura da madrasta em relação às alianças políticas no Ceará. Na ocasião, o parlamentar classificou a ex-primeira-dama como “autoritária” e declarou que ela “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”. Desde esse episódio, a comunicação entre o núcleo duro da família e a presidente do braço feminino do partido passou a ocorrer de forma indireta, gerando um impasse na atual corrida eleitoral.
Impacto do eleitorado feminino na campanha de Flávio Bolsonaro
A necessidade de reaproximação surgiu após a divulgação de dados da pesquisa BTG/Nexus, que apontou uma desvantagem significativa do candidato do PL entre as mulheres. O levantamento indicou que Luiz Inácio Lula da Silva possui 49% das intenções de voto nesse segmento, contra 29% do senador. Esse declínio de popularidade está associado ao chamado efeito Vorcaro, referente à visita do parlamentar ao banqueiro Daniel Vorcaro, fator que também prejudicou a base eleitoral do partido em 2022.
Para tentar reverter esse cenário e “rechear” o palanque com figuras femininas, a coordenação política iniciou movimentos estratégicos. A economista Daniella Marques Consentino foi anunciada como porta-voz para o mercado financeiro, atendendo a uma demanda por uma “Paulo Guedes de saias”. Paralelamente, a equipe avalia nomes para a vice-presidência, considerando a ex-ministra Tereza Cristina e a deputada Júlia Zanatta, esta última com o apoio de Eduardo Bolsonaro para atrair a base conservadora.
Exigência de Michelle Bolsonaro para mobilizar o PL Mulher
Apesar das tentativas de aproximação, a liderança feminina do partido mantém a exigência de um pedido de desculpas formal. Como presidente do PL Mulher, ela estruturou núcleos em todo o país, consolidando uma base de apoio que responde diretamente às suas diretrizes, e não aos demais membros da família. A coordenação da candidatura avalia os próximos passos, ciente de que a adesão oficial da ex-primeira-dama é o principal caminho para ativar essa militância nas ruas durante o período eleitoral.



