Revolta na saúde: médicos de Jair Bolsonaro ameaçam ir à Justiça por dívida
Profissionais da SES-DF cobram remuneração por plantões exclusivos realizados durante a estadia do ex-presidente na Papudinha
Três profissionais vinculados à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) declaram não ter recebido pelos serviços prestados exclusivamente a Jair Bolsonaro. O trabalho ocorreu no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, entre janeiro e março deste ano. A designação da equipe atendeu a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigiu assistência em saúde 24 horas por dia para o ex-presidente.
Durante 57 dias, os servidores atuaram sem atender outros pacientes, dedicando-se apenas ao político. O regime adotado foi o Trabalho por Período Definido (TPD), uma jornada extra remunerada. Um integrante da equipe relatou ter cumprido oito plantões de 12 a 24 horas, gerando um montante de R$ 15 mil a receber. Sobre a dinâmica, um servidor detalhou: “A gente atendia ele pelo menos três vezes por dia e até durante a noite, enquanto ele dormia. Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”.
Registro de ponto no atendimento a Jair Bolsonaro
O impasse financeiro tem origem na forma como a frequência foi registrada. Como os servidores estavam em uma unidade militar, não havia acesso aos relógios de ponto da secretaria. A comprovação da presença precisou ser adaptada. “Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas nesse formato a gente tem que bater ponto na SES. Lá no batalhão não tinha como. A gente assinava um caderno na passagem de plantão com o ex-presidente”, explicou um dos profissionais.
Ao notarem a ausência dos valores nos contracheques, os trabalhadores buscaram a Subsecretaria de Gestão de Pessoas e foram instruídos a enviar os documentos pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Contudo, a SES-DF alegou que o trâmite foi executado de maneira equivocada, justificativa rebatida pela equipe. “Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que iam pagar como TPD; se fosse só por banco de horas, ninguém iria”, argumentou um médico.
Possível ação judicial contra a SES-DF
A prestação do serviço exclusivo foi finalizada em 26 de março, quando o STF autorizou a transferência do ex-presidente para o regime domiciliar. Desde então, a equipe, que também contava com um técnico de enfermagem, aguarda a regularização dos depósitos. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal não emitiu posicionamento oficial sobre a falta de repasses. Em virtude da espera, os servidores analisam a possibilidade de acionar a Justiça para garantir o recebimento dos valores.



