Brasil

Falece aos 78 anos o escritor Raimundo Carrero, ícone do Movimento Armorial

Vencedor do Prêmio Jabuti e parceiro de Ariano Suassuna, o autor deixou um legado histórico para a cultura do Nordeste e do Brasil

O escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero faleceu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos, em decorrência de um câncer. A confirmação do falecimento foi divulgada pelos familiares por meio das redes sociais. No comunicado oficial, a família ressaltou que o autor dedicou sua vida à literatura “com paixão, sensibilidade e compromisso”, construindo um acervo que influenciou diversas gerações de leitores e ajudou a moldar a identidade cultural do país. As informações sobre o velório e o sepultamento serão anunciadas posteriormente pelos parentes.

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Reconhecido como um dos nomes mais premiados da literatura nacional, o autor teve seus trabalhos traduzidos e prestigiados internacionalmente. Ao longo de sua trajetória, ele conquistou honrarias de grande relevância, como o Prêmio Jabuti, o Prêmio São Paulo de Literatura, o Prêmio Machado de Assis e o troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Entre as publicações mais celebradas pelos especialistas estão obras como Somos Pedras que se Consomem, As Sóbrias Ruínas da Alma, Sombra Severa e O Delicado Abismo da Loucura.

lenda da Perna Cabeluda e o legado de Raimundo Carrero

Além do reconhecimento no ambiente acadêmico, a produção do romancista alcançou a cultura popular de massas. No ano de 1976, o intelectual participou da criação da história da Perna Cabeluda, um mito que se consolidou como uma das lendas urbanas mais conhecidas da capital pernambucana. Recentemente, essa narrativa voltou a ganhar destaque nacional e internacional ao ser incorporada ao roteiro do longa-metragem O Agente Secreto, dirigido pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, evidenciando a permanência de sua obra no imaginário coletivo.

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Nascido no município de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, em dezembro de 1947, o profissional conciliou a produção de ficção com o trabalho na imprensa. Ele integrou a equipe do Diario de Pernambuco por 25 anos, atuando como crítico literário e editor nacional, além de trabalhar em emissoras de rádio e televisão. Na esfera pública e institucional, presidiu a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e ocupou uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras (APL).

parceria com Ariano Suassuna no Movimento Armorial

A contribuição para a cultura regional também se deu por meio de sua atuação ao lado do dramaturgo Ariano Suassuna. O jornalista foi um dos principais articuladores do Movimento Armorial, uma iniciativa artística que tinha como objetivo principal o desenvolvimento de uma arte erudita fundamentada nas raízes populares da região Nordeste. Essa vertente cultural buscou valorizar elementos tradicionais brasileiros, integrando literatura, música e artes plásticas em uma proposta estética unificada.

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