Salário de R$ 20 mil: tenente-coronel da PM que tirou a vida da esposa recebe aposentadoria
Geraldo Leite Rosa Neto vai a julgamento por crime contra mulher após perícia descartar que a vítima tirou a própria vida no apartamento do casal
A Polícia Militar de São Paulo oficializou a aposentadoria do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de tirar a vida da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. A transferência para a reserva saiu no Diário Oficial na quarta-feira (10). Detido desde 18 de março, o oficial receberá os vencimentos da patente, estimados em R$ 20 mil mensais, por já possuir o tempo de serviço exigido pela corporação militar.
O falecimento da policial aconteceu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no centro da capital paulista. O agente alegou que a mulher tirou a própria vida enquanto ele tomava banho, após discutirem sobre divórcio. Contudo, as investigações levaram ao indiciamento do militar por fraude processual e crime contra mulher. A primeira audiência do Tribunal do Júri ocorrerá em 29 de junho.
Perícia contesta versão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto
Os laudos periciais refutaram a narrativa do marido. A posição do corpo de Gisele, com a arma encaixada na mão e um pé sob o móvel, indicou alteração da cena. Exames do Instituto Médico Legal identificaram marcas no pescoço da vítima, descritas no documento como sinais “de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação”, apontando que ela foi imobilizada e estava desmaiada ao ser atingida pelo disparo.
A análise do local revelou vestígios de sangue em outros ambientes do imóvel. O inquérito também registrou a demora no pedido de socorro, pois uma vizinha ouviu o disparo às 7h30, mas o oficial ligou para a emergência apenas trinta minutos depois. Os legistas confirmaram que a policial teve relações íntimas antes de falecer, contrariando a declaração do acusado de que dormiam em camas separadas há seis meses.
Mensagens de Gisele Alves Santana revelam temor do oficial da PM
A família da vítima apresentou provas de que ela planejava a separação e temia as atitudes do marido. Em dezembro, a soldado enviou uma mensagem a uma amiga relatando o comportamento do companheiro: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam”. Um áudio encaminhado ao pai demonstrou a intenção de mudar de residência, afirmando: “Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar”.



