Fim dos tambores improvisados: como o Programa Cisternas vai mudar a rotina de 191 mil famílias
Iniciativa de acesso à água potável retoma expansão no Semiárido e outras regiões após entregar mais de 121 mil reservatórios desde 2023
O governo federal expandiu o Programa Cisternas, contratando 191 mil unidades via Novo PAC com R$ 1,7 bilhão em recursos. A ação retoma as políticas de segurança hídrica após queda nas entregas entre os anos de 2019 e 2022. Desde 2023, foram instalados 121.240 reservatórios, focados majoritariamente no Semiárido, mas também presentes em áreas da Amazônia, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio Grande do Sul.
A medida substitui o armazenamento precário no meio rural. No município de Major Izidoro, em Alagoas, 58 famílias receberam em 2025 reservatórios com capacidade de 16 mil a 52 mil litros. Ligados aos telhados para captar a água da chuva, eles substituem galões improvisados e garantem o suprimento durante a estiagem. Apenas no estado alagoano, foram entregues 3.947 tecnologias de acesso hídrico neste ano.
Impacto do Programa Cisternas para Daniela Oliveira
A moradora Daniela Oliveira recebeu o equipamento em seu quintal e explica a mudança na rotina doméstica. “A cisterna trouxe segurança, quem não tem uma cisterna nunca sabe ao certo o nível de qualidade da água guardada de forma improvisada em casa. A cisterna trouxe dignidade, porque com ela veio a possibilidade de conquistar o ‘direito ao cotidiano’ que as pessoas, em geral têm, sem precisar depender de ninguém. Trouxe qualidade de vida, porque a água armazenada na cisterna garante saúde e bem-estar”, relatou Daniela.
A identificação dos beneficiários tem o apoio da agente comunitária de saúde Tatiane Brito, que auxilia a Cooperativa Agropecuária Regional de Palmeira dos Índios (Carpil). “São famílias que precisam muito da cisterna. Com a seca prolongada, muitas dependem de carros pipa que distribuem apenas um tambor de 200 litros por semana, por família, a cada oito dias. É muito sofrido. Mas com as cisternas, essas famílias passam a conquistar dignidade. É uma bênção na vida deles”, relata a agente de saúde.
Gestão descentralizada do governo federal e Carpil
A execução do projeto é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O técnico da Carpil, Fernando Lima dos Santos, detalha como funciona a triagem nas comunidades. “O conhecimento que a Tatiane tem das famílias que acompanha há tantos anos ajuda muito no trabalho de levantamento da demanda local. O resultado é repassado para a equipe da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Alagoas, que executa um convênio firmado junto ao Programa Cisternas, graças ao modelo de gestão descentralizada, construído pelo Governo do Brasil, por meio do MDS”, descreveu.



