Mario Frias: ONG investigada por fraude contratou advogado do deputado
Instituto Conhecer Brasil é alvo de operação por suspeita de desviar verbas da prefeitura de São Paulo para a produtora Go Up Entertainment.
A Polícia Civil investiga o Instituto Conhecer Brasil por suspeita de desvio de recursos em um contrato com a prefeitura de São Paulo. A ONG, presidida por Karina da Gama, dona da produtora do filme Dark Horse, roteirizado pelo deputado Mario Frias, contratou um escritório de advocacia que defende o parlamentar. O acordo municipal para instalação de internet gratuita soma R$ 157,1 milhões, incluindo aditivos.
A prestação de contas da entidade registra doze repasses ao escritório Aguilera Martinez, totalizando R$ 341,9 mil. Os documentos descrevem os gastos apenas como “prestação de serviços jurídicos”, sem detalhar as atividades. No mesmo período dos pagamentos, os advogados atuavam na defesa do político em quatro processos nas justiças eleitoral e estadual.
Investigação sobre o filme Dark Horse e Mario Frias
Os investigadores apuram se o dinheiro público financiou o longa-metragem. O delegado responsável registrou no inquérito que “Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”.
A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades, classificando as suspeitas como “ilação irresponsável”, “sem fundamento”, “leviana” e “sem provas”. A gestão declarou que “O fato de o escritório também atender o parlamentar mencionado não configura qualquer irregularidade” e que “A administração reforça que o Instituto Conhecer Brasil foi selecionado para o programa WiFi Livre SP em 2024, por meio de chamamento público que ficou aberto por 30 dias a todas as entidades interessadas, em processo que cumpriu integralmente as exigências legais.”
Emendas de Mario Frias para a ONG investigada
A organização também recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado para projetos federais. Parte desse valor pagou R$ 80 mil a uma empresa associada a Fabio Lago Meirelles, outro advogado que defendeu o político em nove ações judiciais. O Instituto Conhecer Brasil e os defensores não responderam aos contatos da reportagem.



